Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

9 meses de bebé no hospital

Crónica de 18 / 11 / 2014

A minha filha fez ontem 9 meses. 9 meses de um amor infinito e inexplicável em que pude pensar muito já que passei longe dela, internada numa cama de hospital.

Eu nunca acreditei muito no amor. Talvez por ter sido uma criança e jovem gorda que quando emagreceu meteu um aparelho dentário dois anos, nunca atrai muito o amor.

E isso deu-me tempo para eu própria acabar por preferir outras coisas como viajar, estudar e, sim, divertir-me muito.

Eu sempre preferi a paixão. Os sentimentos fortes e intensos. Que se não existem eu acho logo que a relação é um tédio e tenho de arranjar uma discussão. E portanto de tédio não pautaram as minhas curtas relações **

Depois conheci o M. que não era carne nem peixe, ou seja nem tédio nem excesso, que me convidada para sair todos os dias mas também víamos TV juntos, e isso fez com que pela primeira vez uma relação funcionasse.

E depois veio a Clara.

O amor de mãe não é imediato, digam o que disserem. Ou melhor, é e não é. Porque quando a puseram pela primeira vez em cima de mim, a sensação foi do género “ok, já está, agora é real!”

Aliás eu estava há dois dias com dores e sem dormir (coisa que eu valorizo mais que tudo!), tinha recebido mais toques que animal em jardim zoológico, estava toda drunfada da epidural e eram 3 AM pelo que os primeiros pensamentos que tive foram “está toda melada” e “que estranho é um ser desdentado!”

Éramos no fundo duas estranhas. Mas nestes 9 meses o ser desdentado conquistou-me como eu nunca achei possível. Reconheço-lhe os sorrisos de malandra e os de felicidade. O choro de birra e o choro de sono. A vontade de colo e mimos e a vontade de descobrir sozinha o mundo.

E, acima de tudo, reconheço que é tudo o que eu podia querer de uma filha:
– é aventureira e tem poucos medos, e por isso nunca nada nem ninguém a vão impedir de seguir os seus sonhos.
– é super sorridente e bem-disposta pelo que vai sempre conquistar as pessoas em vez de as afastar
– é super carinhosa e adora dar e receber mimos pelo que vai sempre ser amiga do seu amigo, namorado ou mesmo estranho que precise de um abraço.

Aqui sozinha na cama do hospital, tenho muitas saudades dela mas também tenho a certeza de algo: era na verdade impossível conhecer o amor até a conhecer a ela.

Parabéns filhota linda **

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