Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

AAAHHH É MESMO A CARA DA MÃE!

Crónica de 18 / 11 / 2014

by Mónica Tremoço 

Já repararam que para todas as fases da nossa vida há uma pergunta-tipo, que sai disparada da boca das pessoas sensivelmente 3 minutos depois de iniciar uma conversa? Ora vejamos:

– Arranjas um namorado: “Então, quando sai esse casamento?”
– Lá te decides a casar: “Então, para quando um bebé?”
– Tens um filho: “E agora, quando lhe arranjas um/uma mano/a?”

Certo?

Na verdade, quando tens um filho o leque de perguntas-tipo alarga ligeiramente. Ouvimos o “Então e deixa-vos dormir?”, o “Ainda mama?”, o “Não adoras ser mãe?” e, finalmente, o “Ahhhh, é mesmo a carinha da mãe, não é?”.

Pessoalmente esta última pergunta irrita-me. É certo que é nosso filho, é certo que se se vai parecer a alguém será aos seus ricos paizinhos, mas sendo um bebé a junção de… – vá, não vamos agora explicar o que se junta ao quê, nem onde nem como, isso todas nós sabemos ** – ADN dos 2, porque raio tem a criança que sair obrigatoriamente mais a um que a outro? É obrigatório que o bebé se possa associar no imediato às feições da mãe ou às do pai?

Acho que quando um bebé não tem parecenças evidentes com nenhum dos pais, as pessoas ficam confusas, roubamos-lhes a rede de segurança de poder perguntar/afirmar algo dentro do contexto e que normalmente não falha. Conseguimos ver-lhes os olhos a arrepiar um ar interrogativo, e imaginar o monólogo que vai na cabeça da pessoa: “Oh Diabo, que não consigo perceber se este puto é parecido com a Rita ou com o Luís! E agora, o que é que digo? Espera aí, será mesmo filho do Luís? Tu queres ver que adotaram um puto e aquele barrigão era uma almofada do Ikea?“. Este impasse muitas vezes leva a que se alargue a comparação a várias gerações da família, aí é certinho que algum traço do bebé fará o match com uma das cerca de 30 pessoas sujeitas a avaliação.

Quase pior que a dúvida, é a certeza. Cá em casa ouve-se diariamente um “É mesmo a cara da mãe”, e é ver o pai a baixar a cabeça com um sorriso simpático e olhar conformado. A leveza com que se dá uma opinião destas não encaixa com o facto de nenhum dos pais gostar de ouvir que o seu filho não se parece em nada consigo, principalmente quando acrescentam pérolas do tipo “Tu não estavas lá quando ele foi feito, pois não?”.

Se o suposto é eu ficar feliz com tal afirmação, informo que não é o que acontece. Para além de não gostar de ver o marido “triste”, ou o contrário, acho sinceramente que um filho é a mistura perfeita e fantástica dos dois.

Os nossos filhos dependem de nós para comer, tomar banho, ir à escola, mas NÃO dependem das nossas feições para serem seres extraordinários e únicos.

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