Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

E quem morre sozinho?

Crónica de 18 / 11 / 2014

Sempre me assustou a solidão. 

Não aquela solidão de viver sozinha, pois essa acredito que é a única maneira de nos conhecermos bem da ponta do cabelo à unha do pé, da emoção cor-de-rosa à mais negra.

Mas aquela solidão que não tem escolha. Ou de quem desistiu de viver.

Como pode não se ter a quem ligar? Como pode não se querer saber o nome do vizinho? Que mensagem passamos aos nossos filhos se nem sorrimos para as pessoas que andam de elevador connosco?

Para mim, esta solidão é das maiores doenças do tempo moderno: alastra sem ninguém dar por isso, sem ninguém se preocupar, e quem se apercebe dela, já não tem como falar.

Chamem-me conservadora mas ainda acho que as relações humanas são o nosso maior património enquanto humanidade.

Mas penso que não sou única. E admiro de coração quem se dedica, sem reconhecimento de carreira, remuneração, ou palmadinha das costas a não deixar ninguém partir sozinho deste mundo. Crianças incluídas.

Com tantos impostos que se lembram de inventar, tenho pena que não troquem um deles para quem não der pelo menos três abraços por dia.

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