Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Viajar com ou sem crianças?

Crónica de 23 / 11 / 2014

by Claudia Moreira Duarte
Cá em casa somos quatro.
Todos os anos tentamos ter uns dias a dois.
Andamos ao nosso ritmo numa espécie de “logo se vê”.
Pode não ficar bem dizer que gosto de férias a dois.
De dias em que consigo dizer frases inteiras.
Em que consigo ouvir os meus pensamentos.
Em que leio um livro de seguida se me apetecer. De silêncios.
De jantar queijos, pão e vinho. Ou mesmo de saltar refeições.
É como um carregar de baterias!
A primeira vez que viajamos a 2 para uma escapadela a mais velha tinha 13 meses.
Ainda não andava. Tive a perfeita noção que se ela começava a andar e eu não estava em casa nunca mais me perdoaria. Ainda assim fui. Ela esperou por nós.
Não é o mesmo do que férias a dois antes de terem aparecido as crianças.
Já não vou livre, nem despreocupada, apesar de saber que estão bem entregues.
Fica cá sempre uma parte de mim.
Dou comigo tantas e tantas vezes a pensar “Elas íam gostar disto”, mas também a pensar “Isto com elas seria mais complicado”. E também penso, “E se nos acontece alguma coisa?”….
Porque não as levamos connosco?
Porque senão não eram escapadelas.
Porque estas saídas a dois de 1 semana, são mais de caminhadas, por trilhos e para sítios onde só se chega a pé. Não se assemelham a férias debaixo de palmeiras.
Porque ainda tenho receio de as levar para sítios fora do país, menos citadinos, que eu ainda não conheço. Se calhar é paranóia minha.
Porque, se não damos atenção um ao outro, daqui a uns anos elas saem de casa e eu nem sei quem é o senhor que está sentado ao meu lado no sofá.
Sei que elas já têm o “bichinho” das viagens, dos passeios, do conhecer sítios novos.
Admiro a aparente descontração dos pais de outros países que andam por cá, com 2 ou 3 crianças pequenas. Fazem com que toda a logística pareça fácil. Transportam tudo, as crianças parecem dormir em qualquer lado, a comida não é problema.
Para certos destinos causa-me alguma apreensão. Demasiadas especiarias, ingredientes fora do habitual, a juntar a 2 meninas muito pouco dadas a aventuras gastronómicas. Não é fácil fora deste nosso Portugal encontrar um sítio com uma simples sopa….
  
Obviamente temos férias a quatro. Muita agitação e dias preenchidos de sol a sol!
Com elas prefiro saborear a praia, que não dispenso. Partilhar mergulhos e gelados.  Apanhar conchas, ver o pôr do sol e escolher as cores dos teréres.
Penso mais nas refeições, nos lanches. Os horários são outros. O ritmo também.
Caminho menos mas canso-me mais. Leio pouco. Correção: Não leio.
Costumava dizer que no fim deste tipo de férias precisava de descanso.
Mas na verdade são momentos que ficam e sabem a tanto. São construções de memórias.
férias em família
Já não temos logística de fraldas, sestas e sopas passadas. Os horários estão mais aliviados. Mas elas já vão tendo voto na matéria.
Tinha a ideia que à medida que elas cresciam ía ser mais fácil fazer estas escapadelas a dois. Que seria mais fácil deixá-las com os avós. Estranhamente não é.
Talvez porque já tenham noção que vamos sair.
Porque já sabem quanto dura uma semana.
Porque já verbalizam as saudades.
Porque também gostamos de partilhar com elas estas aventuras.
Por outro lado tenho a ideia que estas escapadelas tendem a acabar por um tempo para depois recomeçarem. Aquele pouco tempo em que nos vão querer acompanhar para quase a seguir acharem que vai ser uma seca viajar com os pais.
Não me parece que seja desamor passar uns dias sem as meninas.
Não creio que isso faça de nós pais pouco presentes ou egoístas.
Não acho que esteja a sobrecarregar os avós. Eles também gostam!
E cá para mim, acho que elas também gostam de fazer férias de pais!!
Tenho saudades delas? Sim, claro.
Elas têm saudades nossas? Sim, claro.
Temos uma regra nisto do viajar sem elas.
Sabem sempre onde vamos, quantos dias vamos ficar fora, nunca saímos sem nos despedirmos ou seja de soslaio.
E eu preparo sempre uma espécie de “diário de bordo” que lhes deixo para irem vendo e lendo, com mensagens, mimos, histórias, fotos do sítio onde iremos estar…. Não estão connosco mas sentem-nos mais de perto.
férias em família: ideal ou não?

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