Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Quando a maternidade nos transforma em Martha Stewart (ou não)!

Crónica de 25 / 11 / 2014

by Rute Ferradeira Serrano

cresci com uma veia forte de feminismo caseiro. ter o amor e filhos sempre esteve nos meus sonhos, mas ser apenas eu a cozinhar, pôr a casa a brilhar, bater bolos nos aniversários, ou mesmo mandar, junto com outras pequenas e grandes coisas que se devem partilhar ou podem comprar apenas pela eventualidade da criança ficar com o totó torto ou sem a peça mum-home-made, quando a posso comprar sem trabalho? hum.. nop!

Vai um bolinho?

 

tornei-me mãe, crianças que vêm de nós, para nos partilharmos num todo. ensinar o que está cá dentro, dar raízes e asas, e sempre, sempre com o espírito de igualdade parental.

mas um dia olho ao espelho e não me reconheço. olhei melhor, OH, AFINAL.. claro que conheço, sou a Martha Stewart (versão revista e não-otimizada).
 
dou por mim a dobrar roupa, às duas e depois às quatro e meia da manhã. hora a que o mais novo acorda, come, volta a dormir, e eu acordada. portanto, que melhor fazer do que tratar da roupa? claro que as meias do pai ficam para ele dobrar, há limites! eu apenas passo as peças que realmente precisam ser passadas, minhas, dele, da casa, da cachopa e do cachopo. e algures na madrugada, que é mais barato. o problema é que o sono vem e a montanha de roupa nunca acaba.
 

vicio-me no Pinterest, mas a pasta não deve ser minha quando tem imensas ideias de bonecos que quero fazer, se encontrar um parecido numa loja qualquer, não terá o mesmo sabor (para os miúdos talvez tenha, para mim não). até já comprei um tecido lindo para fazer um mini-vestido de verão (!!!). e por falar em costuras, os miúdos têm um tapete de atividades único – um lençol de brinquedos e bonecos cosidos, e outros pintados. o quarto tem alguma decoração feita, e irrito-me comigo própria por demorar a acabá-la.





percebo que o faço por amor. pensei no último aniversário da miúda com todos os direitos – tema preferido revisto em vários pormenores, 35 pessoas presentes mesmo eu estando a amamentar a cada duas horas. uns identificadores das comidas que me esqueci de colocar, e as ofertas para os miúdos (bolachas de oreo com stick, cobertas de chocolate e com uma pegada em glacé rosa), achei que para solidificar, devia ir ao congelador, em vez de ficar sólido, congelou. depois de fazer a pegada, esta não secou e o resto.. derreteu-se. quando o primeiro casal foi-se embora, o marido disse “espera que ainda falta uma lembrança..” e eu “ah.. não, não.. esquece, não deu”. o casal não nos voltou a telefonar.
 
e percebo que há ainda as coisas que faço por imitação. Cresci com a minha mãe e tia a cortarem-nos o cabelo. eu via a fazerem-no e decidi que tinha aprendido imenso a vê-las. depois a filha mais velha, que nasceu carequinha, começou a ter uns cabelitos a quererem tocar nos olhos e pensei “eu consigo!” sentámos a miúda num banco, enrolada a uma toalha, o pai atrás, de joelhos no chão, para a agarrar. iniciei. felizmente, o meu instinto gritava “GO SLOWLY”. e muito slowlymente, foi ficando torto, em bico, eu queria que a tesoura fizesse uma recta horizontal. cheguei a olhar para a lâmina da tesoura, não fosse eu ter-me enganado e estar a usar uma tesoura de craft com zig zag. marido à gargalhada, eu à gargalhada, miúda divertida. mesmo com o cabelo já bastante molhado (sim, iniciei com ele praticamente seco), teimava em não conseguir fazer aquilo que na minha mente parecia tão simples. às tantas digo ao marido “acho que já cortei uma pontinha em todo o lado.” o marido olhou-a de frente e… “parece um monge!”.

Ups

 

ai a Martha Stewart, com as nossas experiências, ainda bem que é fã do Halloween, uma versão Martha mais… criativa.

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