Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2018

Co-sleeping: Sexo, Intimidade e Vinculação

Crónica de 26 / 11 / 2014

Sempre me acanhei de assumir que pratico o co-sleeping. Por várias razões.

Primeiro porque a sociedade censura.

Segundo, porque quem o pratica,  considera uma prática de quem amamenta. Coisa que eu não faço desde o mês e meio da minha filha.

Terceiro, porque me parece um nome técnico de mais para algo que aconteceu naturalmente cá em casa. Então nunca falei.

Quando deixei de amamentar, percebi que a minha filha dormia pior. E eu sentia falta dela, de a conhecer, de lhe pegar, e de estarmos juntas naquelas horas que eram só nossas: a noite. Dar-se-á a vinculação à noite? Será que mães e filhas/os se conhecem quando o mundo desaparece?

A vinculação dá-se à noite, creio eu
Eu sou da opinião que sim. E que ela passou a dormir pior porque perdeu aqueles momentos em que nos cheirávamos, em que estávamos pele a pele, e em que estava outra vez perto de um toque humano. E eu também passei a dormir pior exactamente pelas mesmas razões.
Fui-a pondo na nossa cama a medo, sem dizer nada ao M. e só entre biberões, esse novo momento tão impessoal que implicava afastar-me dela para lhe fazer o leite, voltar, e dar-lho em 5 minutos.

Ela ainda nem se mexia mas ficávamos ali encostadas, ela a dormir profundamente (tchan dan!) e eu a tentar perceber o que se estava a passar. As noites foram passando. Os meses também. Assim que se começou a conseguir mexer, passou a dormir agarrada a mim. Um sono tranquilo, calmo, não se mexia.

Quando ela tinha talvez uns 4 meses senti a pressão de ter um plano B, de não estar à mercê de dizer: “sim, dorme na nossa cama”. Então, passei a pô-la a dormir na cama dela nas sestas de dia. Tinha de a adormecer ao colo e quase parti um pulso no processo.

Mas a questão principal aqui? Durante esses meses a minha filha fazia sestas de meia hora. Às vezes, muito cansada, de 45 minutos.

Até que um dia fui operada de urgência. E quando voltei para casa o M. disse-me: “já adormece sozinha!” e eu: “como?” e ele: “Na nossa cama!” Esperto este homem…. :))

Aí pensei: mas porque estou eu a tentar partir o meu pulso e obrigá-la a dormir ao colo quando, ainda por cima, ela tem 10 kg e não deve emagrecer nos próximos tempos?!

Conclusão: passou a dormir sestas de hora e meia/2 horas. E continua a ir para a cama às 19.30. Para a “nossa” cama :)  Está muito mais bem-disposta e feliz. E quando vamos aos nossos eventos, não quer saber da mãe para nada, quer é conhecer outros “bebés”. Que dúvidas posso eu ter sobre esta ser a melhor opção para a minha filha??

E onde está o sexo do titulo? perguntam vocês. Sim, porque sexo vende mesmo quando o assunto é maternidade :p

Li no outro dia um artigo, escrito por um pai (sim, há pais que “falam”! :)) que pratica o co-sleeping que dizia: “quando vocês perguntam o que acontece à intimidade do casal querem dizer ao sexo certo?”

Co-sleeping e sexo?!
Por partes:
1. a intimidade é tão mais que o sexo… a intimidade é poder falar com o M. sobre todos os meus receios, alegrias, medos, ficar em silêncio ou ver um filme de mão dada. É poder falar sobre as dificuldades de estar em casa há um ano sem saber o que vou fazer. E, para mim, é na intimidade que está o segredo da relação.
2. Quanto ao sexo, quer dizer, quem achar que o sexo só acontece na cama, ou tem uma vida sexual muito monótona ou precisa de ler um kama-sutra para iniciantes!
3. Acrescento ainda que, ok, obviamente aquele cenário de acordar a meio da noite e dar uma trancada no teu parceiro desaparece. Mas com a maternidade, digo eu, desaparece parte da vontade de dar trancadas, porque não resumir a que fica a um local bem mais original que o quarto? 😉

 
Nova espécie de ginásio :)
 
OK, agora já é só no gozo 😉
Agora a sério, até porque a cozinha é muito gira :p

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