Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

O superego

Crónica de 06 / 01 / 2015

No outro dia fui ao oceanário ver um concerto para bebés.

Findo este, apanhámos o elevador para visitar o oceanário, que acabámos por dividir com outro bebé.

Um rapaz. Vestido a rigor dos pés à cabeça. Cabelo penteado para o lado. Roupa engomada. Certamente feliz, ou assim espero. Mas eu fui do piso 0 ao piso 1 com um ar de pena dele de todo o tamanho.

Crianças ou bonecos?
Aprende-se em psicologia que o superego é a última instância da consciência a ser desenvolvida.

É o superego que nos faz aprender as regras da sociedade, ser bem educados, não cuspir para o chão, etc.

O que é que uma coisa tem a ver com a outra? perguntam vocês.

É que eu gosto das crianças sem superego.

Crianças com nódoas de comida na roupa porque comem com as mãos. (No caso da minha filha por acaso sou eu que acabo por plantar as nódoas…)
Crianças despenteadas porque se metem debaixo do sofá à procura de migalhas.
Crianças com arranhões porque tropeçam e caem a querer brincar com tudo. E podem brincar com tudo.
Crianças que não estão sempre a ouvir “não toques” “não mexas” “não faças”. 
Crianças sem superego, porque ainda não é importante seguirem as regras da sociedade, regras que, aliás, têm a vida toda para seguir.
Que têm toda a liberdade de conhecer o mundo com a sede que só uma criança tem.
Crianças que sentem que ainda podem tudo porque o mundo ainda não lhes castrou a vontade de viver e a ambição de tudo querer conhecer.Portanto se um dia se cruzarem com um bebé com roupa suja, a andar no meio do chão, com qualquer coisa estranha na boca, pode ser a minha filha. 

Mas assumo aqui que as nódoas na roupa se devem ao superego da própria mãe, que insiste em não o deixar reinar.
Superego, o melhor amigo do não

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