Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

O medo

Crónica de 13 / 01 / 2015

Há quem diga que o medo é um instinto de sobrevivência: ao termos medo, sabemos que há algo que o nosso corpo identificou como uma ameaça.

Há quem diga que o medo é uma fraqueza: temos medo quando não temos coragem.
Confesso-me mais inclinada para a segunda via. Acho que o medo é falta de capacidade de enfrentar algo, de racionalizar a nossa relação com algo. Mesmo que esse algo seja desagradável. 
O medo domina muitas das nossas acções. E muitas vezes justifica, por si só, uma reacção, como se fosse um substantivo. Que, apesar de o ser, não devia. Devia ser um adjectivo.
Não viajas com o teu bebé porque tens medo.
Não desistes do teu trabalho porque tens medo.
Não acabas uma relação porque tens medo.
Não começas o teu projecto profissional pessoal porque tens medo.
Eu confesso que também tenho vários medos. Mas tenho um que move todos os outros: tenho medo de viver com medo. 
Ser mãe aumentou todos os meus medos. Ficar desempregada também. Ser uma mãe desempregada deixou-me duplamente condicionada por medos.
Mas o medo de não viver é maior. E o medo de que possa imprimir na minha filha um medo de ir atrás dos seus sonhos é ainda maior. 
Então luto todos os dias para não ter medo. Na esperança que assim a minha filha escolha plantar sonhos no lugar do medo. 
 

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