Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

O tempo tem o tempo que o tempo do tempo tem

Crónica de 30 / 01 / 2015

Desde que a Clara nasceu que me tornei ansiosa.

Primeiro era por mim é porque a fusão da minha empresa não se dava. 
Depois porque não tinha leite. Porque tinha que introduzir sopa que ela não queria. Porque tinha que a ensinar a dormir. Mais tarde a andar. A dar antibiótico. A não deixar cair. E por aí fora, estão a ver o filme.
Depois há também a ansiedade do futuro: como será quando for para a creche? Será que está a ser mimada de mais e vai ser mal-educada? Vai cair alguma vez e magoar-se a sério? 
Enfim, há ansiedade para dar e vender nesta coisa de ser mãe. 
Mas no outro dia, deitada ao lado dela, a pensar que já fez um ano e já anda, percebi que por mais que tenha passado o ano em que mais se aprende em toda a vida, ela está eatranhamente calma com tudo o que o futuro lhe pode guardar, continuasse a esta velocidade (assumo que ela não tem como adivinhar que não será sempre assim…)
Mas como? 
Estou em crer que o tempo dela tem outra velocidade. O tempo dela só tem a velocidade do agora. Se já anda mas ainda não se levanta não interessa. Se já se levanta mas não sabe cair, não é importante. Se tudo o que sabe dizer é “Gum Gum Gum” não faz mal, eu hei-de perceber. 
As infinitas possibilidades do futuro não a assustam. O caminho que percorreu tão rápido para chegar aqui, não a cansa. 
E sabem que mais? Ela tem toda a razão. Pelo que eu me continuarei a deitar ao lado dela. A ouvi-la respirar sem qualquer ansiedade. Do presente, passado ou futuro.
E esperar aprender como fazê-lo. Talvez seja mesmo só isso: respirar. 

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