Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2017

#babyaboard: Roadtrip Kruger Park

Crónica de 06 / 02 / 2015 in #babyaboard

Muito rapidamente: road trips com bebés não são fáceis!

Saímos de casa domingo de manhã, atravessámos de ferry para Maputo e parámos para café. Eram 8 AM e eu já estava cansada de andar em picadas e, especialmente, dos 30 graus que se faziam sentir.
Mas dai para a frente a estrada era sempre boa e a distância para o Kruger pequena então a boa disposição reinava.
Foi a primeira viagem da Clara numa cadeira de carro “normal” e acho que estava muito motivada por finalmente ver o que se passa. 
Além de que, protegida pela sua cadeira, não tinha de disputar espaço num carro com 5 pessoas e muita tralha! Esperta!
Roadtrip de carro cheio
Passámos a fronteira sem qualquer problema (nesta altura já passou a azáfama do Natal e fim de ano) e preparámo-nos para almoçar em Komatiport ou Malenane mas como ao domingo fecha tudo, só conseguimos emborcar um frango do Nandos às 14.30.
Por mais que uma pessoa viaje preparada, ainda não inventaram micro-ondas de carros pelo que a Clara foi alimentada a pão até essa hora porque o facto de ter mais espaço que nós, não era suficiente para ignorar a fome. 
Ficámos instalados num sítio que se chama *Merloth Park *que é, basicamente, um condomínio dentro de uma reserva. 
A opção é muito boa por várias razões:
 – dá para ver animais pequenos e sair do carro perto deles (o que é óptimo para bebés!),
– ao ficar numa casa pode-se pôr os bebés a dormir – enquanto se janta tranquilamente, ou em qualquer momento basicamente 
– sai mais barato que um hotel em termos de alojamento e alimentação.
Assim que chegámos vimos uma girafa a palmos de nós o que deixou a Clara aos gritos de alegria e por isso esquecendo-se rapidamente que estava a ser alimentada a pão que nem um pássaro.
Clara e a girafa
No dia seguinte não quis sair sem a Clara fazer a sesta da manhã em casa, tranquila. Estavam 32 graus às 8 AM. 
Pelo que, a Clara dormiu 3 horas ao som do ar condicionado antes do almoço. A última vez que dormiu 3 horas sem ser à noite tinha para ai 2 meses pelo que concluo que ou o AC era muito bom, ou o calor e a viagem de carro são um excelente soporífero.
Passámos essa tarde num centro comercial em Nelspruit o que foi ideal por 2 razões: para um bebé que começou a andar há pouco tempo, corredores de centros comerciais são óptimos para fazerem milhas, se cansarem muito, e os pais não estarem sempre a pensar que vão espetar a cabeça em qualquer tronco de árvore ou pedra do chão. A segunda razão é que estavam 38 graus na rua e então a escolha era entre ares condicionados. Aproveitámos e compramos-lhe uns ténis que a miúda não tinha o que calçar porque a mãe se esqueceu, ao fazer a mala, que se calhar não ia estar sempre na praia…
No outro dia era o dia do primeiro aniversário da Clara e fomos para o Kruger. Estavam 40 graus. Pelo que, à falta de ar condicionado na natureza, a bicharada fez-se à vida e em vez de ficar na “montra” do turista, foi para uma qualquer sombra e bocado de água onde se pudesse refrescar.
Dia do 1º aniversário, no Merloth Park
Dia do 1º aniversário, no Merloth Park
Ok que ainda vimos leões e elefantes, não me queixo. Mas vimos a uma distância que um bebé não vê e portanto  a Clara, que já tinha visto uma girafa a 10 metros e delirado com o facto de ser muito maior que a Sophie le girafe que ela põe na boca, estava-se a barimbar para os animais que dizíamos para ela ver la ao longe ou para a milésima vez que lhe mostrámos uma gazela.
Às 10 AM parámos num café à beira de uma zona de água para ver animais. Perguntaram-me “que queres beber?” “Uma cerveja! … Espera que horas são?” “10 AM”. “… Uma cerveja!” Respondi. E foi assim que bebi uma cerveja às 10 AM, coisa que não fazia provavelmente desde os 20 anos. E que me soube bem melhor que me sabia nessa altura. 
Mas foi aqui que aconteceu aquilo que para mim compensou tudo e que deixa à Clara uma memória que nenhuma festa cheia de crianças deixaria: os parabéns cantados por todos os empregados do bar.
Para todos nós foi uma emoção indescritível, para nós por percebermos o quão único era aquele momento, para ela que nenhuma tinha tido tanta gente tão perto dela a cantar para ela :)
E pronto o resto do dia passou-se a fugir do calor e à procura de animais que por sua vez também fugiram do calor pelo que já apetecia era atropelar os biliões de gazelas que apareciam a cada km.
No dia seguinte, mais calor, mais km, e casa. 
Para quem nunca gostou de andar de carro, acho que a Clara se safou muito bem, entre a cadeira nova e o regular acesso a pão, a rapariga nem reclamou muito.
Mas não é fácil fazer uma Roadtrip com bebés. E isso é mais uma razão para beber uma cerveja às 10 AM. 

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