Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Um pontapé nos tomates ou a verdade sobre ser mãe a tempo inteiro

Crónica de 18 / 02 / 2015

Não sei há quanto tempo me lêem ou sequer se lêem :)
Mas há algo que tem ficado, a meu ver, subentendido e que não é verdade: a escolha de ser mãe a tempo inteiro.
Ou melhor, ela foi uma escolha sim, mas não a primeira: a primeira foi manter a empresa aberta.
Pesava eu menos 7 ou 8 kg, usava saltos altos todos os dias e não estava grávida, quando percebi que seria impossível vingar no mercado se eu permanecesse empresária a solo.
Borrei-me toda de maquilhagem, fui ao cabeleireiro e parti à procura de sócios investidores. 
Depois de uns meses de procura de várias soluções, e com várias portas fechadas na minha cara, apareceu um solução genial: a adesão a um grupo de empresas de comunicação que se tornariam simultaneamente meus sócios. 

Eu estava em delírio: no meio da crise, 4 anos depois de abrir a empresa sozinha,  eu conseguia dar a volta! 

Em Junho de 2013 eu descubro que estou grávida. Mas, isso não impediu o negócio de avançar, teoricamente, até era bom sinal! 

E em Julho de 2013 foi aprovado o business plan que punha este novo comboio em andamento.

Os meses passaram-se. E todos os meses eu ouvía “assinamos os papéis para o mês que vem, mas está tudo aprovado!”

A barriga cresceu. A Clara nasceu. A licença de maternidade foi planeada e gozada a meias com o pai porque a mãe “ia estar muito ocupada com o novo projecto!”

Mas em Junho de 2014 desisti de esperar e fechei a empresa: é que afinal o que estava em cima da mesa era eu continuar à espera… 

Desde que a Clara nasceu que me custava trabalhar, confesso. E quando ia a reuniões ou a levava ou voltava a casa a 120 km/h cheia de saudades.

E por isso não foi difícil pensar que fechar a empresa me daria todo o tempo do mundo com a pessoa que eu mais queria estar. E assim a minha filha ganhou a mãe a tempo inteiro. 

Mas eu não perdi um emprego. Eu perdi um projecto de vida que tinha 4 anos, todo o meu dinheiro e muito suor de várias pessoas. Que ficaram desempregadas porque, como eu, esperaram, durante um ano, só mais um mês. 
E, apenas para fazer a ponte com o título, isto deve ser a que sabe um pontapé nos tomates. 

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