Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Posta para não mães, não recém-mamãs e outras gajas sem cordões umbilicais activos

Crónica de 05 / 03 / 2015

Desde que a Clara nasceu, e até há 2 dias atrás, eu nunca tinha saído de casa, sozinha,  à noite. Sim, nunca tinha deixado o pai com ela e dito: “vou sair com as minhas amigas”.

Talvez muitas de vocês digam: “so what?!”

Mas quem me conhece, já me ofereceu porrada, droga, ombros e tudo em simultâneo para eu sair deste coma materno: é que eu saia à noite dia sim, dia… bom, digamos que eu saia muitas vezes, quer fosse inverno, verão, fim-de-semana ou não.

Mas fui-me apercebendo que tenho de voltar à vida, tenho de voltar a mim. Eventualmente apenas porque se acabou o segundo ano de gravidez.

Anteontem decidi que era O dia de voltar à vida. Liguei à minha melhor amiga. Umas 6 vezes. Marquei. Desmarquei. Inventei desculpas. Fiquei com medos. Até que lhe disse: marca que eu vou, estou inimputável.

Depois disso voltei a marcar, desmarcar, dizer que tinha sono, fome e outras doenças obviamente gravíssimas.

Mas lá fui eu.

E por mim ia agora (quase, vá) todos os dias.

Falámos de homens. Giros, feios e dos nossos :p
Falámos de sexo. Do bom e do mau.
Falámos mal das pessoas. Bem, nem todas nós, ou talvez sim, mas só um bocadinho.
Comemos peixe porque somos gajas e é quase verão.
Nem todas comemos batatas porque somos gajas e é quase verão.
Não comemos sobremesa porque somos gajas e é quase verão.
Mas gastámos essas calorias em álcool.
E fumei uns cigarros.
E fomos a um bar.
E bebemos mais uns copos.
E rimos muito.
E falámos de sonhos, projectos e da maternidade.
E voltámos a falar de gajos, gajas, e pessoas em geral.

Mas acima de tudo fomos gajas. E não mães.

E pensei na Clara, obviamente.

Mas a verdade é que se eu nunca tivesse sido gaja, nunca tinha sido mãe.

E com esta verdade la palassiana me vou.

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