Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Desiguais na desigualdade

Crónica de 23 / 03 / 2015

Caramba que este fim-de-semana foi tão rico em polémicas da emancipação que quase dava para escrever as crónicas até ao verão com tanto tema quente!

E aqui que ninguém nos ouve, confesso, que se eu fosse gajo, às vezes, comprava pipocas, distribuia uns biquinis e ficava só a ver o circo pegar fogo. Sim, porque a mim me parece que quem vai para o wrestling, combater as mulheres são, quase sempre, outras mulheres. Sabe-se lá por quê…

Vamos por partes.

Tudo começou há umas semanas quando uma grande amiga lança a iniciativa 65/10 que fala sobre a disparidade entre a percentagem de mulheres que consume versus a percentagem de mulheres que trabalha em publicidade.

Isto fez-me muito sentido! Afinal de contas, há que apontar o dedo à desigualdade, há que identificá-la e há que combatê-la. Sem incendiar soutiens que, para serem giros, até foram caros! 😉

Dia da Mulher no 65/10
Estava orgulhosa e motivada! Sentia-me parte deste grupo activo do séc. XXI que não desistiu de reinventar a condição da mulher, sem queimar soutiens ou usar avental: simplesmente defender a condição da mulher, sendo na mesma mulher.

Esta pica de feminismo moderno foi incendiado por uma campanha publicitária que procura combater o estigma que existe com a roupa das mulheres, em particular, com a relação entre esta e o valor da própria mulher. Ora vejam:

O valor de uma mulher

O valor de uma mulher
Eu estava ao rubro! Gosto deste desafiar de estereótipos! Gosto que a mulher possa vingar e ser vista na e pela sociedade como é. Como quer ser. E como lhe apetece! 

E gosto mesmo muito que na discussão da desigualdade, não se tire a liberdade e o acesso às oportunidades a todas as mulheres, quer estejam de mini-saia ou de saia até aos pés.

Esta parte confesso que me fez logo pensar em mim. E ter noção que, por vezes, é fácil julgarmos mais depois de “assentarmos”. 

Mas confesso-vos, e já o fiz, que hoje em dia me posiciono facilmente do outro lado da trincheira: a procura do amor é das lutas mais complexas e profundas do ser humano. Ser solteiro também. E ser solteiro e procurar o amor, nem que temporário, merece o mesmo respeito que estar em casa a dobrar meias dos filhos e marido (além de ter muito mais interesse…)

Como vos disse, foi um fim-de-semana intenso :)

Porque ainda a missa não ia a meio quando me deparo com o titulo nas noticias de uma blogger que tinha incendiado as redes sociais por dizer “sentimo-nos umas autênticas vacas quando estamos a amamentar”. 

Não conheço a senhora. Não quero, nem preciso. Não vi a entrevista. Não quero, nem preciso. Porque percebo rapidamente que certamente não foi atacada pelo homem com um balde de pipocas desejoso de ver uma “cat fight”. Não. Obviamente a grande polémica terá sido gerada por mulheres.

Não me interpretem mal. Eu não percebo nada de vacas (nem de agricultura ou puericultura em geral) nem de amamentação. Mas parece-me, inclusivamente pelos grupos que vou seguindo no facebook, que na maternidade não permitimos opiniões diferentes da nossa. Que somos as primeiras a atacar a diferença especialmente quando a questão é a maternidade (não tinha já comentado isto? !). Que somos as primeiras a ser desiguais na desigualdade ou, como diria o George Orwell, a achar que somos todos iguais mas uns mais iguais que outros.

Esta crónica vai longa mas acaba num bom tom. Ainda através do 65/10  vim parar a esta página, Mulheres Rodadas.

E não tive como não soltar uma boa gargalhada com o que por lá encontrei: é porque no meio da igualdade vs desigualdade, de cat fight, decotes vs golas de renda eu sei de que lado eu me posiciono no meio disto tudo: no meio do movimento sexy! :p





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