Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Manual de sobrevivência para ser mãe a tempo inteiro

Crónica de 24 / 03 / 2015

Esta crónica pode ser polémica, mas achei que estava na altura de sintetizar a minha experiência.

Deixo-vos aqui o que considero essencial à sobrevivência como mãe a tempo inteiro:
1. Estão em casa com o vosso rebento. Mas não são escravas da casa. O que estão a ser a tempo inteiro é “mães”. Além de que se o vosso marido está fora o dia todo, que partilham vocês? Deixem algumas tarefas domésticas para partilharem os dois. A sério. O tempo que sobrar que seja para os dois.
2. Não abdiquem de uma independência financeira. Trocos para um café, verniz das unhas do chinês ou mesmo só para ter no bolso, são importantes. Se for difícil, sejam criativas. É crucial. Até porque podem querer ir de férias ao Hawai daqui a uns tempos se o marido estiver muito ocupado.
3. As pessoas vão achar sempre que as tarefas domésticas são vossa responsabilidade. Estamos em casa podemos adiantar trabalho, é um facto. Arranjem um mini-aspirador que faz vista e não dá muito trabalho.
4. Fato de treino é absolutamente proibido.
5. Não deixem a pelugem corporal passível de encaracolar com rolos de cabelo.
6. Não fiquem fechadas em casa: tenham uma agenda nem que seja de ir ver se está a chover. É que se não vão parar ao fato de treino.
7. Se tiver de ser, façam a festa em casa. Lembrem-se só, para aí ao terceiro copo de vinho, que no dia a seguir terão uma cria feliz da vida logo de manhã.
8. Façam coisas que sabem que não vão poder voltar a fazer: dormir a sesta com os vossos filhos, tomar banho com eles, ou mesmo andar todas nuas pela casa! É que limpar o pó pode esperar. E certamente esperará por vocês.
9. Não tratem os dias como disponíveis: ver TV durante o dia é absolutamente proibido.
10. Não apanhem brinquedos, façam agachamentos.
11. Sim, vão ter mais fome. Sim, tudo o que tiver em casa vai apetecer comer. Não, já não é da gravidez e não, também não se evaporará a arrumar a casa.
12. A auto-estima intelectual é importante. Arranjem um hobbie, inventem um projecto, aprendam algo novo. Tricot vietnamita. Dança do ventre. Este tempo deve ser bem aproveitado.
13. Não deixem de se sentir bonitas. É possível que não se sintam tão bonitas como antigamente. têm menos razões para se arranjarem (tudo menos fato de treino, por favor!). É possível que o vosso marido não vos dê este feedback com a regularidade que precisam. Não deixem de o procurar. No espelho. Dentro de vocês. No gajo da caixa da mercearia se for preciso!

  1. Não percam o contacto com a realidade. Os amigos não podem? Façam amizade com todas as pessoas que trabalham nos sítios que podem frequentar diariamente (mercearia, talho, supermercado, padaria, etc). A sério. Com o tempo, a conversa de ocasião vai passar a conversa fofa de ocasião.

  2. Dormir não é pecado. Só quem nunca ficou em casa com uma criança é que acha que é pêra doce. Não é, sabe-lo quem fica. Descansem, durmam se necessário for. E lembrem-se que este tempo não volta: curtam muito os vossos filhos (a dormir então são o máximo! :p)

  3. Alguns amigos podem estar mais distantes. Não levem a peito. Aliás, não levem nada a peito. Liguem-lhes, e convidem-nos para fazer “coisas” (Vejam só pontos 7 e o 15). Café, chá laranjada, meia hora, 15 minutos tudo vale.

  4. Tirem fotos. Tirem selfies. Divirtam-se. Daqui a uns anos os vossos filhos fogem. Além de que dá um bom material de chantagem de pré-adolescentes.

  5. Dancem. Emagrece e faz-nos felizes.

  6. Tenham toda a paciência do mundo com os vossos filhos. Têm tanto para aprender com eles como eles convosco.

  7. Já disse mas volto a dizer: estes dias não voltam. Usem-nos bem. Usem-nos para vocês. Usem-nos para os vossos filhos. Usem-nos para serem felizes e nada mais do que isso. E, se necessário for, tatuem isto na vossa memória. Porque vão precisar. Porque nem sempre é fácil. Mas vale muito, mas muito a pena.

  8. Tenham orgulho no que fazem. Em vocês. Ou acham que a Dolores Aveiro não está super orgulhosa da mãe que é? Nós, mães a tempo inteiro, não precisamos, não queremos, e não vamos colher os nossos frutos agora. Porque a viagem não é sobre nós. E isso é aquilo a que se chama amor incondicional. Abracem-na.

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