Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Medalha para mãe de primeira viagem

Crónica de 26 / 03 / 2015

Quando voltamos de Moçambique eu vinha com uma sensação de que precisava de me livrar de parte do brinquedos, bonecos e afins da Clara pois ela mostrou-me que se diverte mais com calhaus e terra dos vasos do que com as dezenas de bonecos que andavam aqui espalhados pela casa.

Além disto, tive de mudar a roupa toda dela não só porque parte da que ela vestia quando viajamos já não servia, como agora precisava daquela roupa de estação cocó: já não é inverno mas ainda não é primavera.
Tira a roupa e junto à roupa que deixou de lhe servir desde que nasceu: não somam duas caixas pequenas do chinês (que o M. insiste em dizer que são uma merda mas eu quero lá saber, são baratas e têm tampa!)
Fiquei muito orgulhosa! As mães de segunda e terceira viagem não estarão nem  aí.  Mães de segunda e mais viagem têm calo, e querem lá saber se a roupa é azul ou azul bebé, se tem bordado renda ou só nódoa!
Mas eu, mãe de primeira viagem com 36 anos, podia ter comprado roupa suficiente para abrir uma zara, roupa com rendas, bordados e afins, esterelizadores de biberões, toalhas bordadas, almofadas de amamentação a condizer com pijamas, bolos com bebés, pulseiras e fios de prata.
Mas não. Decidi investir as minhas hormonas noutra maluqueira qualquer.
E a Clara sobreviveu (e bem! Já que come que nem uma lontra!) com roupa emprestada. Usada. Com cores e padrões que não combinam. E as vezes com mangas quase no cotovelo. 
E hoje, quando fui à Ajuda de Berço levar roupa e brinquedos, comida e fraldas, percebi exactamente porque mereço a medalha: 
Porque o que as crianças precisam para crescer e serem felizes é amor. É tempo. É dedicação. 
E isso não se compra em lado nenhum. Mas pode-se oferecer. Aos nossos e aos outros.

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