Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Ter filhos semana sim, semana não: a guarda conjunta

Crónica de 27 / 05 / 2015

Li há dias num blogue que costumo acompanhar, o dolce faire niente, que “saber que passaremos a ter filhos semana-sim-semana-não é demolidor”.

Foi isso mesmo que senti quando a guarda conjunta entrou na minha vida e de nada me serviu que, em tese, tenha sempre advogado ser este o sistema que melhor protege a família que de repente se desintegra.

Apesar de considerar a guarda conjunta o modelo mais justo para todos, num contexto de separação, desde que reunidas as condições, por ser o que permite a pai e mãe continuarem a desempenhar de forma paritária o seu papel e aos filhos poderem, assim, manter os laços com os dois progenitores, de forma igual, sem sentirem que um deles se exclui ou está a ser banido pelo outro.

Apesar disso tudo, quando foi necessário decidir a forma como, depois do divórcio, passaria a viver com as minhas filhas, assumir a guarda conjunta, já não em formato de modelo mas em formato bem real, foi, num primeiro momento e durante algum tempo, um choque difícil de descrever.

Um rol de dúvidas, medos e angústias passaram a perseguir-me. Como é que as minhas filhas, ainda pequenas, se iriam adaptar? Poderia esta decisão comprometer a sua estabilidade e crescimento saudável? Como é que seria viver metade do meu tempo sem as minhas filhas? Passaria a ser uma mãe em part time? Que raio de mãe passaria a ser aos olhos dos outros? Como iria ser esta nova vida?

Foram muitos os receios, alguns os confrontos e preconceitos com que tive de lidar, curiosamente mais contundentes com o universo feminino, mas mais forte e maior foi a solidariedade e apoio que recebi da família e amigos.

Por vezes, foi necessário fazer ajustes de trajetória.

Mas o grande desafio, o que fui tendo de concretizar à medida das minhas capacidades, foi comigo mesma (é sempre assim, não?), o de aprender a desenhar a minha maternidade, num cenário pouco convencional, sem me sentir diminuída ou menos mãe do que as outras mães. E sabemos bem o quanto o universo da maternidade é eivado de normatividade e da certeza de que a minha certeza é mais certa e melhor do que todas as outras.

Saber que as minhas filhas vivem felizes com a decisão que os pais tomaram há 10 anos atrás sobre um aspeto tão determinante da vida delas é das coisas de que mais me orgulho na vida.

Não foi um caminho fácil, e sei que cometi erros, mas tenho hoje duas filhas que vivem uma relação de amor, segurança e estabilidade com a mãe e com o pai e que sabem que ambos procuraram protegê-las, e que nunca as quiserem dividir e sim, num contexto diferente, continuar a partilhar e decidir em conjunto a melhor forma de as ajudar a ser pessoas autónomas e felizes.

by Raquel P.

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