Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2018

Quedas aparatosas

Crónica de 04 / 06 / 2015

Eu sempre fui fã de quedas aparatosas: grandes paixões em vez de amores serenos. Empregos mal pagos mas apaixonantes. Grandes noitadas em vez de serões no sofá.

Pois que não há muito que enganar: somos mães tal qual somos mulheres.

Houve, contudo, momentos em que eu parecia contrariar esta tendência: mais que mãe galinha sou mãe carraça, defensora de mimo e cuspo.

Mas há um momento decisivo: o momento em que as nossas crias começam a andar. Mãe carraça como sou, e estando em Moçambique nessa altura, passei mal inicialmente: e se ela cai? e se se magoa? e se fica com medo? estou tão longe de um hospital!

Depois percebi que não era preciso ela se magoar para eu precisar de um hospital: por andar sempre com medo e em stress, EU ia precisar de um hospital.

E aí define-me como mãe: mantenho-me fiel a ser fã de quedas aparatosas. Ou pelo assumi que não ia ser o medo dela cair que me ia condicionar. E então, ficava a vê-la aprender, outras vezes preferia nem olhar. E ela foi-se safando sem grandes quedas aparatosas.

Como diz o ditado: ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo.

Pois que deve ser verdade. Porque vejo-a a fazer razias a esquinas de mesa, cair com um pau na mão que lhe acerta 2 cm ao lado do olho e outras salvações milagrosas de quedas aparatosas.

Eventualmente também são verdadeiros os ditados “filho de peixe sabe nadar” e “Deus protege os audazes” e por isso, tal como a mãe, se vai levantar sempre sem medo de voltar a tentar.

Mais Crónicas:

-->