Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Um papá. Uma mamã. Dois Bloggers

Crónica de 07 / 07 / 2015

O PARTO

*CRÓNICA DA MÃE *

Não acredito que o amor seja o sitio onde fazemos tudo juntos. Muito pelo contrário. Existem, inclusivamente, uma série de coisas que só gostaria de fazer sozinha: a depilação, usar o WC para o “number 2”, e o trabalho de parto

Para mim, trabalho de parto divide-se em 3 momentos: o pré-parto, o parto e o pós-parto.

No pré-parto, passei o tempo todo a stressar com o M, porque achava que ele não estava a ouvir nada do curso. E havia coisas muito importantes! Como, por exemplo, que durante o trabalho de parto devia estar calado e não dizer “tem calma!” “Força!” ou “Está quase!”

Não faz mal porque se ele não ouvia, eu repetia dezenas de vezes depois. Mais que importante que não desmaiar, tirar a primeira foto da filha, ou dar-me a mão, era não dizer coisas do género: “respira!” Até porque eu respiro todos os dias, várias vezes por dia, há 37 anos. Não me lembro de ter me esquecido uma única vez e preferia que não fosse no parto que ele me relembrasse de como o fazer.

Depois chegou o dia. E antes do dia as contracções. Ainda a missa não tinha nem começado e eu já só queria era drogas, porque se com 1 dedo de dilatação eu já gritava que nem um porco a ser morto, não queria saber como se chega aos 10!

Mas o M, bem instruído pelo curso pré-parto e pelos meus reforços diários, não disse nada. E ainda bem, porque se eu ouvisse um “calma” “meu amor” ou qualquer outra tentativa de “amorizar” o momento, juro que acho que dizia que ela não era o pai da criança só para poder estar sozinha naquele momento.

As drogas melhoram tudo. E por tudo leia-se, por um lado, o trabalho de parto em si, e, por outro, o amor pelo pai da criança durante o trabalho de parto. 2 doses de epidural depois, eu era o símbolo da felicidade, e, aquela pessoa, antigamente tão fácil de amar, nesse dia tão fácil de odiar, era outra vez o meu amor, pai da minha filha, companheiro bem-vindo ao meu lado, no momento da luz celestial (sim, as drogas eram de facto muito boas!)

Claro que isto foi até, no pós-parto, ver que o M – que levou para o bloco operatório câmara de fotografar, telefone, câmara de filmar e uma go-pro na testa – tinha mostrado a todas as pessoas o momento lindo do nascimento da nossa filha: sim, aquele momento em que ela sai de onde vocês sabem.

E para isto, amigas, não há epidural. Apenas a certeza de que, se houver próximo parto, não haverá nenhuma foto da criança para o recordar.

CRÓNICA DO PAI (DUAS PARA UM):

Ok, bem sei que as Mulheres passam uma vida a sonhar (ou a ter pesadelos) com o Dia D… O tipo de parto, o hospital, a roupa Dela, a roupa do bebé, as fraldas, chupetas e afins… Quando o momento chega, tudo está pronto e à porta de casa… Ótimo!
Connosco, homens, o parto encaixa na perfeição naquela nossa secção preferida do “quando acontecer, logo se vê…”. Sofrer por antecipação é coisa que não existe no nosso dicionário e por isso quando realmente recebemos a notícia… O terror começa!
Não fazendo a mínima ideia do que nos espera, o que fazemos? Recorremos ao Youtube para perceber o porquê de tanto alarido. Conclusão: Enorme Erro!
Meu Deus! O que é isto?! Como é que alguém no seu perfeito juízo se submete voluntariamente a tamanha tortura?!
Uma coisa vos garanto, se fosse eu, filhos só adoptados!
Desde os penosos meses finais da gravidez, escolha da tortura (qual delas a pior…) ao inevitável e não menos terrífico pós parto, tudo seria demasiado para mim ou para qualquer outro Homem…
Durante anos, sempre que me perguntavam (o que entre Homens nunca vinha à conversa…) se planeava assistir ao parto. A resposta era simples: NUNCA! Todo aquele abre, fecha, cose, descose, puxa daqui, empurra dali, sempre me meteu imensa impressão… Dói-me o corpo todo sempre que vejo uma pequena ferida, quanto mais ver uma criatura a ser arrancada das entranhas de uma pessoa… Naaa… Fico lá fora a roer a unhas que é menos mau…
A verdade é que lá fui… e sabem que mais? Não me apercebi minimamente de todo o espetáculo do Tarantino que por ali se passava. Os olhos não conseguem enxergar nada que não seja a carinha da pequena, que durante tantos meses apenas pudemos ver em ecrãs minúsculos e com a qualidade da câmara semelhante a um velhinho Nokia…
Odeio cair no cliché, mas é mesmo verdade que quando os vemos, pegamos ou damos a mão, tudo passa a valer a pena. As noites mal dormidas (dela), as dores de costas (dela) as quebras de tensão (dela), os calores desenfreados (dela), e tudo mais (dela claro)…
Para nós homens a coisa é realmente fácil… Claro que temos de aturar o mau humor, claro que damos em doidos, claro que temos de fazer os favores todos, mas já imaginaram o tamanhão do “favor” que Elas nos fazem a nós?? Nunca na vida o conseguiremos pagar e sabem que mais? Elas voltariam (e voltam…) a fazê-lo novamente!
Sou o fã numero 1 das Mulheres, já o disse inúmeras vezes e sempre achei que nos davam 15 a 0 mas agora que sou Pai e, acima de tudo vi a minha cara metade ser Mãe, acho que 15 a 0 é pouco, muito pouco…
P.S. – Pensem o que quiserem, queixem-se o mais que puderem, mas uma coisa vos confesso, não imaginam o sexy que ficam para nós, grávidas. E as cicatrizes? Passam a ser a parte mais bela do vosso corpo…

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