Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2018

A intimidade depois de sermos pais

Crónica de 14 / 07 / 2015

CRÓNICA DA MÃE

Ui, tema difícil este… e já não tenho como me livrar dele… bom então aqui vai:

Vou-vos confessar a mais verdadeira das verdades: acho que sim, acho que os homens têm razão, acho que lhes ligamos menos – para não dizer que não ligamos nada – depois do nascimento dos filhos. E que, portanto, parte da reduzida intimidade é culpa das mulheres. Pelo menos ao inicio.

Não é por mal. Continuamos inclusivamente a gostar deles! :) Mas… aquele pequeno ser, que agora depende completamente de nós, estava até hà pouco tempo dentro de nós, arrumado entre o estômago e o intestinos e outras coisas muito viscerais. É no fundo uma extensão de nós. Mas que agora nos deslumbra permanentemente. E desgasta também.

Não que os nossos homens não nos deslumbrem também! :p

Mas, depois de passarmos 9 meses gordas que nem um cacho de uvas, com pés inchados e cheias de sono, para, de repente, acrescentarmos deixar de poder dormir e, como diz uma amiga, ficarmos todas em obras lá em baixo, a verdade é que a intimidade não é coisa com que as mulheres se preocupem muito. Não levem a mal: maioritariamente, estamos apenas devassadas pelo cansaço.

E, enquanto o tempo não passa, há dias que vamos para a cama mais cedo porque o sono é superior às saudades de sermos só dois, outras que sentimos que o cansaço é superior à necessidade do outro e preferimos simplesmente encostar para canto no sofá. Com a cara para longe.

Enquanto o tempo não passa, precisamos de espaço, tempo, compreensão. E que gostem de nós exactamente como somos e não como estamos.

Mas, o que importa, para mim, não são estes tempos. Estes tempos, perdoem-me os homens, são muito nossos.

O que importa mesmo é que depois destes primeiros tempos, o tempo continua (perdoem-me a redundância).

E, o que importa mesmo, mesmo, mesmo é que intimidade não é (só) sexo. Intimidade são abraços. Mãos dadas. Silêncios cúmplices. Lágrimas (muitas nesta altura) inexplicáveis. Risadas. Cafés partilhados. Pequenos-almoços na cama. Jantares preferidos. Uma flor roubada do jardim da vizinha. Um cafuné. Um SMS. Uma piada. Um beijo com o mau hálito da manhã.

Acontece que os filhos não nos dão mais descanso conforme vão crescendo. Por isso a luta pela intimidade e pelo tempo a dois é uma luta de todos os dias. De todas as pessoas na relação.

E aqui meus senhores – que já fiz a minha mea culpa acima – não se inibam de nos surpreender 😉

CRÓNICA DO PAI

Tempo?! O que é isso? Penso que já ouvi falar, mas não conheço…
Desenganem-se os que ainda não tiveram filhos, após o dia D, 99% do vosso tempo é ocupado por apenas 3 coisas: o bebé, o bebé e o bebé… Ah e tal… O jantar no restaurante da moda… Esqueçam! A partir desse dia os nossos hobbies são: mudar fraldas, preparar biberões, dar banho ao pequeno, procurar chupetas, adormecer o rebento, esterilizar praticamente tudo o que possuem e… Xixi, cama! Claro que de vez em quando podem ligar a TV, mas não saltem de alegria pois o canal alterna entre o baby tv e o panda. Ok, posso estar a exagerar um pouco a coisa mas a verdade é que quando dão por ela, estão de tal forma embrulhados nessa rotina que ir ao WC é como fazer check-in num hotel de 5 estrelas… com direito a Spa e tudo… (geralmente aromaterapia… desculpem, não resisti!) Avançando… Com isto tudo, é muito fácil esquecer como tudo começou, ou melhor, com quem tudo começou. Aquela pessoa, que foi o amor da nossa vida e é agora também a mãe do nosso bebé, passam-se dias que mais parece ser uma colega de trabalho nesta profissão de sermos pais… “Sabes da chupeta?”, “Achas que o leite está quente?”, “É preciso comprar fraldas!”, “Chega-me aí as toalhitas!”, este passa a ser o vocabulário mais romântico entre o casal… A verdade verdadinha é que as excelentíssimas mamãs ficam totalmente vidradas neste novo ser e acredito que existam momentos em que, aos olhos delas, os homens são literalmente invisíveis. Minhas senhoras, não se preocupem, sabemos que é tudo uma questão de tempo. Aí, entra também em ação o papel fundamental do marido: dizer-lhes o quão bonitas são, o bem que desempenham o papel de mãe, o engraçado que ficam cheias de bolsado, abraçá-las e dizer-lhes carinhosamente ao ouvido que é a mulher mais bonita a fazer compras no supermercado… estes gestos fazem toda a diferença! Trust me!!! Claro que há sempre o fim de semana, esse pináculo do lazer e diversão, em que o casal ainda atordoado por todo o reboliço da semana, lá decide deixar o “piqueno” com alguém de confiança e aventurar-se na loucura de uma noite a dois! Resultado: Ou acabam por ficar em casa a aproveitar o descanso, ou passam a noite a lamentarem-se das saudades que têm do filho, com um olho no relógio e o outro no telemóvel a ver a câmara que filma o bebé enquanto dorme (sim, o nosso monitor tem também uma aplicação que permite vermos no telemóvel a Benedita a todo o momento e a mamã abusa, claro!! ). “É natural…” dizem eles, “É só uma fase…” dizem outros! Numa altura que parece ter virado moda o querer “ficar para tio/a”, porque não aproveitar? Entreguem os filhos, saiam, refresquem as ideias, qualquer coisa! Não somos menos pais por isso… Quanto mais, somos MAIS pais por isso! Somos pais o suficiente para não só cuidarmos dos nossos filhos, como também cuidarmos da nossa relação. Ou ainda acreditam que é só a princesa conhecer o príncipe, viverem felizes para sempre e FIM? Pode ser que pelo caminho façam ver aos tais “tios” aquilo que perdem…. Da última vez que eu e a cara metade decidimos realmente sair só os dois, posso dizer-vos que o sushi man não tirou os olhos dela e veio inclusive, mais tarde, um rapaz ter connosco (ok, ele estava meio bebido) dizer-me que era um sortudo por ter uma mulher tão bonita, reforçando que devia estimá-la. Claro que contei outros tantos a olhar “demasiado” para o meu gosto… Não me pareceu que ela tivesse devolvido o olhar, mas é bom que eu arranje tempo para namorar, senão quem ainda se trama sou eu…

Mais Crónicas:

-->