Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

O sono

Crónica de 16 / 07 / 2015

O sono… O sono é lixado… Adultos, velhos, crianças e qualquer outra coisa pelo meio: o sono reflecte todas as nossas fragilidades.

Eu confesso que tenho sorte: a minha filha desde muito cedo que dorme quase toda a noite.

Mas não é pacifico. Não. Quando começou a sentar-se. A gatinhar. A andar. A comer sólidos. A falar. Tudo o que aprende traduz-se em momentos que lhe transtornam esta hora em que a alma ajusta contas com o dia: a hora do sono.

E agora, aos 18 meses, vejo-a de novo a entrar em sofrimento no sono.

Porque dormir é não brincar.

Porque tem medo da separação.

Porque acorda quase a gritar: “Lego! Não consigo!”

E, porque, li eu hoje, é simplesmente normal nesta fase acordar a chorar.

Então e aquelas fotos e postais de bebés onde estes dormem que nem uns anjos caídos do céu?????? Pois, não existe…

Mas não somos também nós assim? Não deixamos de dormir cada vez que a alma está mais frágil? E de cada vez que, ao tirarmos a carapaça do dia-a-dia, sentimos que é demasiado forte olhar para a nossa alma nua? 

Acabamos um namoro? Não dormimos.

Ficamos sem um trabalho? Não dormimos.

Problemas de saúde? Não dormimos.

Problemas na familia? Não dormimos.

Contas para pagar? Não dormimos.

Para as crianças é perfeitamente igual: o sono é o sitio onde fazem as contas ao dia, às aprendizagens, emoções, aos pais, às palavras novas, aos jogos aprendidos, à comida, aos amigos, e ao seu novo lugar no mundo.

O que é que eu acho então que não é normal? Achar que, ao jeito de um ex-presidiário, um bebé tem de resolver sozinho esta situação onde se meteu. Tem de se “aguentar à bronca”.  Aprender a lidar com a vida.

Normal, normal, é proteger os nossos. Mesmo quando estão só a dormir.

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