Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

A vida com quatro pintos – segunda parte

Crónica de 24 / 07 / 2015

Se quando conheci o meu marido ele me tivesse dito – “tu e eu ainda vamos ter quatro filhos” – acho que me teria farto de rir, às gargalhadas mesmo.

Sonhava com uma carreira fabulosa, internacional mesmo, abraçada às grandes causas jurídicas, aos direitos humanos, ao dever ser, aos direitos ambientais… e acho que se eu lhe tivesse dito o mesmo, também ele se havia de rir, e muito.

Talvez estivese escrito que assim fosse, que assim tivesse de ser, e a verdade, é que a vida nos deu tanto, mas tanto, que hoje me sinto a maior das rainhas.

A verdade é que não há especialidade alguma em ter quatro filhos, simplesmente em vez de ser um são quatro.

É claro que há dias, há momentos em que preciso de agilizar as coisas, pôr a cabeça a funcionar e pensar, mas como é que vou fazer isto.

Quando nasceram os gémeos, não senti que eles dessem mais ou menos trabalho do que um bebé sozinho, talvez porque já tinha uma mais velha, que já caminhava e que já não usava fralda.

Todos eles foram bebés muito tranquilos, muito calmos, claro houve noite de choro, houve noites em que não dormi sequer cinco minutos, mas acho que isso faz parte da rotina de ter um bebé, nada de estranho.

Apesar de algumas mães sentirem que ter gémeos é complicado eu não senti – ora dois bebes, eu tenho duas mãos, dois braços e duas mamas – contas feitas acaba por estar tudo equilibrado, siga que para a frente é caminho!

Quando nasceu a mais novinha, os gémeos não caminhavam, usavam fralda e praticamente ainda não falavam.

Regressei para o escritório tinha ela 11 dias (realidade de quem é profissional liberal) e no fim do dia lá fui eu buscar os outros três à creche.

Só quando estacionei à porta de casa (na altura um apartamento num quinto andar com o elevador avariado), é que a realidade de ter quatro filhos me bateu à porta e pensei – como é que eu levo esta gente para casa?

Cérebro de mãe a funcionar – pendurei a mais nova no porta bebes, e levei um dos gémeos em cada braço – sim, com três bebes ao colo eu parecia uma árvore de natal!

Nos dias, semanas seguintes foi só aperfeiçoar a técnica e siga.

Todas as mães de famílias numerosas sabem que o mais importante nisto tudo, nem é a corajem, nem a determinação, nem as capacidade individuais de cada uma, o mais importante é mesmo pensar rápido para arranjar soluções rápidas e dar resposta a multiplos problemas que surjem a maior parte das vezes ao mesmo tempo.

E foi assim que desenvolvi a minha técnica de os adormecer a todo. Gémeos no ovo, mais nova ao colo e mais velha sentada ao lado – embalava os gémeos com os pés, à mais nova dava a mama e à mais velha lia uma história – em pouco menos de vinte minutos estavam todos tranquilamente a dormir.

Na próxima crónica – sair à rua com os quatro pintos….

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