Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

As tarefas do casal no que toca ao bebé

Crónica de 28 / 07 / 2015

CRÓNICA DA MÃE:

Ai que é agora que me salta o verniz! Posso falar? Posso? Posso?

Naaahhh! Apesar de nós mulheres fazermos tudo melhor e mais rápido, dou a mão à palmatória (até porque o pai de duas para um está farto de dar graxa e qualquer dia tenho queixas em casa de não dar nenhuma): eu sou de partilhar tarefas e tenho, na verdade, um homem em casa que as partilha de bom grado.

Felizmente, para mim, partilhamos de uma forma sensata: ele faz o que eu não gosto de fazer :p

Mas vamos por partes: o tema são os bebés. E nisto eu divido em fases, quase que literárias:

Romeu e Julieta ( ou a gravidez): homem e mulher estão em perfeita sintonia. Eles querem fazer. Nós estamos demasiado gordas e cansadas para fazer (excepto xixi que isso é quase na versão olímpica!). É uma maravilha! “Amor queres que faça isto?” “Amor queres que faça aquilo?” “Faz pois, meu doce, que eu mal os sapatos consigo apertar!”

Amor em tempos de cólera (ou o pós-parto): todos queremos fazer tudo, afinal de contas, chegou o ser porque esperámos tanto, que é a soma do nosso amor, que precisa de nós. Mas e o sono? Ai o sono! O sono é a cólera! A cólera de não poder curtir este momento com 8 horas de sono em cima! “Então e o jantar amor?” “Não há restos do almoço querido?” “Não deixa estar, eu mudo a a fralda!” “Não, eu mudo amor, vai descansar!”

O amor é fodido (ou a vida toda a seguir…): amamo-nos uns aos outros e amamos o nosso bebé. Mas o amor é fodido, já dizia o Miguel Esteves Cardoso… é que agora o pai voltou ao trabalho. A mãe eventualmente também. E o bebé continua lá. Bem como o jantar por fazer. A fralda por mudar. E agora que o bebé come que nem gente grande, as fraldas cheiram mal, o sono continua lá, e os restos – que já são do jantar de há 3 dias – não satisfazem ninguém!

Eu sei que nós mulheres queremos sempre fazer tudo, e temos a mania que fazemos tudo mais e melhor. Mas a verdade é que, com o tempo percebemos que enquanto nós damos banho, vestimos o bebé, fazemos e damos jantar ao bebé e pensamos no jantar dos pais, tudo em 30 minutos, os pais, cheios de boa vontade certamente, passados estes 30 minutos ainda estão a desapertar as molas da primeira camada de quarto da roupa da bebé e a dizer: “Amor o que é o jantar e podes encher a água da banheira da menina enquanto tratas disso?”

Meus senhores, acredito piamente na comunicação e na sinceridade: nós de facto somos mais talhadas para o multitasking e para o despacho! Mas isto não vos iliba de fazerem outras coisas! Até porque sofá ainda está lá à vossa espera quando nós despacharmos o banho, o jantar, a criança, e uma máquina de roupa :p

Mas dito tudo isto… tenho de ser justa (e dar graxa se não o pai de duas ainda dirá que faz tudo e eu é que passo por má :p): o amor é isto mesmo: completarmo-nos. Deixar o outro ser feliz a fazer. Ou a não fazer. Ou a achar que faz bem. Mesmo que faça mal.

Amem-nos assim. Com a mania que fazemos tudo mais e melhor. E muitas das vezes a fazê-lo :p

CRÓNICA DO PAI:

Mas ainda existirão Homens que se sentam no sofá assim que chegam a casa?! Se sim, por favor alguém que os avise que essa moda já passou há muito…

Claro que há sempre maior ou menor aptidão para realizar certas tarefas do que outras, mas as coisas acabam por se equilibrar… Nem poderia ser de outra forma!

Mais do que nunca, isto de ter um filho torna a vida em casal num jogo de equipa e claro, não se vai exigir ao guarda-redes que marque golos nem ao ponta-de-lança que os defenda… (Em caso de dúvida peçam aos respectivos papás que expliquem isto das posições…)

Dou um exemplo:

Segundo a mamã cá de casa, eu ainda não entendi bem o ciclo da roupa… Diz que, para mim, a roupa passa do chão do quarto directamente para a gaveta, toda limpinha e passadinha… (e não é assim?!)

Já por outro lado, se eu quiser jantar é bom que saiba de cor o número do take away ali da esquina, porque se depender Dela (perfeito exemplar da Mulher moderna), os Chocapic ocupam todas as fatias da roda dos alimentos…

E afinal, estamos ambos neste momento vestidos e de papo cheio do almoço caseiro que se fez… Go team!

Agora o problema é quando passamos a ser 3… Ou mais… (Ainda não percebi como é que os pais de gémeos sobrevivem!)

As nossas coisas passam imediatamente para 2º plano… O pó passa a fazer parte da mobília, o cesto da roupa suja já há muito que não cabe lá mais nada e comer de pé passa a ser um ritual… Mas lá nos vamos aguentando…

Quanto à rotina da Benedita, a coisa é mais ou menos a mesma…

Leites, papas, sopas e afins, geralmente é aqui o Chef que faz, já a roupa, ao fim de 7 meses ainda não sei onde estão as toalhas, os lençóis e muito menos as fraldas de pano… Para ser sincero, penso que está tudo espalhado pela casa… Pelo menos sempre que preciso lá está uma ou num cesto ou pendurada em qualquer lado (quando não está espalhada pelo chão…)

Mas se há uma coisa que nem me atrevo a chegar perto é da roupa da Benedita. Já tentei algumas vezes, mas a minha seleção ou já não serve, ou faz a Benedita parecer um rapazolas (estará o subconsciente a quer dizer alguma coisa?!) ou então não combina de “forma alguma”… Desisti!

Para o banho geralmente é uma luta para decidir quem o dá… É a parte mais divertida do dia! A Benedita adora, e nós gostamos que a Benedita adore… E adivinhem lá quem limpa no fim o chão completamente encharcado de tanta brincadeira? Uma pista: não sou eu!

O maior pesadelo antes da “piquena” nascer eram sem dúvida as fraldas. Nunca me imaginei a trocar cocós e xixis, para ser sincero… Agora, venham eles! Claro que vai sempre meio pacote de toalhitas a cada cocó, mas também ninguém é perfeito…

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