Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

São os filhos a segunda temporada de nós próprios?

Crónica de 29 / 07 / 2015

No outro dia, a propósito da crónica da Cristina Bessa, lembrei-me de todos os sonhos que já tive para mim.

No meu caso, não deixei de sonhar para ter filhos. Até fui das pessoas que sempre adiou ter filhos para continuar a sonhar.

Mas, de repente, perante a ideia do que quis versus o que se fez, o que se desejou versus o que não aconteceu,lembrei-me de tanta coisa que quis fazer e nuca fiz.

E eu até fiz umas coisas. Fui de férias sozinha. Tive aulas de saxofone. Acampei. Trabalhei em restaurantes. Aceitei trabalhos em países longínquos. Tentei aprender a dançar tango. Conheci pessoas de vários países. Comi comidas estranhas. Excepto bichos, isso nunca consegui.

Mas lá está: tantas coisas ficam adiadas: um dia viajo para o outro lado do mundo. Um dia como um insecto. Um dia volto a viajar só de mochila. Um dia tiro um curso de chinês.

Um dia…

Um dia és mãe. E percebes que esse dia fica adiado. Ou talvez não. Talvez a tua filha um dia possa ter um trabalho fantástico. Ou recusar um trabalho fantástico para viajar. Talvez um dia a tua filha seja muito boa num desporto. Ou a tocar um instrumento. Ou goste de cozinhar! Um dia…

Um dia… Será que esse dia era teu e já não é? Será que desejas que a tua filha viva o teu dia?

Claro que por amor queremos tudo para os nossos filhos. Inclusive que vivam os seus próprios dias em pleno.

Mas a fronteira tenue entre os dias deles e os nossos assusta-me por vezes.

Porque desejo que ela consiga tudo o que eu não consegui. Mas que os dias sejam dela. E eu apenas parte deles.

Isto se for possível, claro. Para uma mãe não saber sempre o que é melhor para os dias da sua filha. Ah sim, porque se ela for uma excelente bailarina eu saberei! Mesmo que ela não saiba!

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