Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Abandonada no Algarve

Crónica de 31 / 07 / 2015

Vim uma semana para o Algarve com uma amiga e seu filho aborrescente. Sim, aborrescente! (palavra emprestada de outra amiga, que confesso acreditar aplicar-se a 99,9% dos jovens depois dos… 10?)

A semana acabava amanhã. Mas o aborrescente, essa raça treinada para picar miolos e torturar adultos conseguiu de tal forma picar os miolos à mãe logo pelas 7.30 AM (sei a hora exacta porque fui acordada pela minha graça-a-deus-ainda-não-aborrescente às 7.20).

E às 9 AM partiram rumo a Lisboa deixando-me sozinha.

Regresso já? Depois de almoço? jantar? Ou só amanhã?

Enquanto pensava, observava os meus próprios pensamentos. E observava que parecia ter medo de ficar sozinha com a minha filha.

Disparate. Já viajámos para Moçambique. Já passámos fins-de-semana fora!

Pois: mas nunca só nós as duas. E parece que, dentro de mim, lá no fundo do fundo, havia um receio de não ser capaz de tomar conta dela. Como se nem de mim conseguisse tomar conta!

Somos adolescents para toda a vida não é?

Enquanto pensava, as horas passavam. E, de repente, não fazia mais sentido ir para casa. Nem ter medo.

Passámos o dia todo que nem duas adolescentes (apesar de ela ser pouco sensível a falar sobre gajos giros na praia!)

Antes de a ir deitar, mordeu-me sem querer, eu gritei, ela fez beicinho e só aí voltei a ser mãe dela.

E percebi que não tenho porque ter medo: ela toma tanto conta de mim como eu dela. E eu ainda fico com os rapazes giros da praia.

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