Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Ter ou não ter mais filhos? Eis a questão

Crónica de 04 / 08 / 2015

CRÓNICA DA MÃE

É verdade que já ouvi histórias de partos que correram tão mal, de crianças que foram tão difíceis de criar, e de mulheres tão desesperadas pelo acomular de responsabilidades resultantes de se tornarem mães sozinhas que já ouvi algumas vezes: eu adoro o meu filho mas não, eu nunca mais quero ser mãe.

Não é o meu caso. No meu caso, tirando alguns momentos específicos – dores do pós-parto, sono, sono, sono … – acho que sempre pensei que gostava de ter mais filhos.

O pensamento pode ser assustador! Especialmente na cabeça de uma mulher. Aliás na cabeça de uma mulher qualquer pensamento pode ser assustador mas adiante… Partilho convosco alguns dos meus:

– não era melhor tê-los próximos para serem amigos?
– mas se são próximos o que acontece à minha relação? E ao meu corpo? E à minha sanidade mental?
– Mas não estarei a por os filhos à frente da relação?
– e se a minha relação não durar?
– e se há problemas na próxima gravidez?
– e se passo a ter sexo só a pensar na reprodução? (não foi o meu caso…)
– e se fico velha?
– e se quando crescem não são amigos?
– e se não dou conta do recado a tomar conta de 2?
– e se vêm gémeos?
– e se não gosto tanto de um como do outro?
– e se a minha filha se recente de haver outra criança de uma forma que não dou conta?

Como em tudo no que toca à maternidade, toda a gente tem certezas:
– “Eu tive um/a irmã/o e foi o melhor que me aconteceu!”
– “Eu tive um/a irmã/o e hoje em dia não quero vê-lo nem morto!”
– “Eu nunca tive irmãos e sou super feliz!”
– “Eu nunca tive irmãos e odeio os meus pais por isso!”

Bem, já disse acima: cabeça de mulher é muito complic… complexa!

Mas ainda bem. Porque só uma cabeça complic…complexa! Resolve esta enorme e infinita equação de uma forma muito simples:

Porque perdes tanto tempo a pensar num filho que não tens em vez de aproveitares a 100% os filhos que tens?

O futuro não nos pertence. Gozemos o presente. Mesmo que embrulhado numa única fralda de cocó

CRÓNICA DO PAI:

Os homens são todos iguais, dizem elas… Nada mais erra Existem 2 tipos! (Melhorou muito, não haja dúvida…)

No que toca a espalhar a semente, para nós, isto ou é ou não é! Não há cá meios termos… Isso do querer um casalinho é coisa de Mulher.

Passo a explicar: Quando questionados (os homens) sobre o número de filhos que esperam vir a ter existem duas possíveis respostas.

Tipo de homem número 1- Aquele que finge que nem ouve, desvia o olhar, encolhe os ombros e com um ar de desinteresse lá responde: “Não sei… Depois logo se vê… Quando chegar a altura depois penso no assunto…”

Que é como quem diz: “Lá vem ela outra vez com a estória dos filhos… Há alguma necessidade de falar sobre isso agora? Eu aqui cheio de sono, já quase a ressonar e agora é que me vem com esta conversa?!”

Tipo de homem número 2- O utópico, aquele que arregala os olhos e diz até com algum entusiasmo (o que é raro nos homens tirando em temas como futebol ou “gajas boas”), que quer uma equipa inteira de futebol.

Já estou a imaginar! O Benfica a entrar em campo com 11 irmãos, o mesmo apelido nas costas, invencíveis à última jornada e tudo graças ao treinador, autêntico mestre da tática… Que só por acaso é também pai de todos eles!

Bem, eu pertencia ao segundo grupo, claro! Pertencia…

É que até partindo do pressuposto que gostamos de crianças, onde é que iríamos arranjar uma mulher que estivesse disponível para fazer 11 partos? Até podíamos ter sorte e calhar um ou dois pares de gémeos mas e os suplentes?!

Fiquemo-nos pelo Futsal então… Pensamos nós… Sempre são menos jogadores… Não há-de ser assim tão difícil! Ainda são alguns, possivelmente malucos, os que têm 5 ou mais filhos…

É por esta altura que então viramos pais… e a história vira também de figura…

Aqueles que não queriam (ou que pelo menos adiaram o mais que puderam) lá se rendem e desatam a dizer a todos os amigos o bom que é ter uma miniatura deles próprios em casa e que se soubessem tinham tratado do assunto mais cedo para conseguirem aproveitar ao máximo a experiência e que assim que puderem têm outro!

Já aqueles que queriam uma equipa de futebol mal têm o primeiro, concluem que o ideal até era ter meio! É que afinal não é só calçar os ténis e ir dar uns chutos na bola… Onde já se viu um treinador a mudar fraldas? Aposto que o Mourinho nunca teve que passar por isto! Já para não falar que afinal também nascem meninas e não há futebol misto!

Feitas as contas e analisadas as táticas, o melhor mesmo é dar um chuto de cada vez e já se sabe que prognósticos, só no fim do jogo!

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