Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

A roupa das crianças

Crónica de 08 / 09 / 2015

Crónica da mãe

Nunca gostei de folhos. Nunca gostei de passar a ferro. Nunca gostei de roupa que não se pudesse amarrotar. Sou esquisita, num sentido muito informal da coisa, digamos assim :)

Mas levo isto à letra: não comprei, durante muitos anos, roupa que precisasse de passar a ferro. Rendas e outros dão-me urticária. E só me apanham perto de um ferro de passar … se eu for a passar por ele no meu caminho para outro lado qualquer!

Vou-vos contar um segredo: não consegui comprar uma peça de roupa à Clara até ela nascer. Sabia lá eu! Não eram jeans nem roupa de sair à noite! Que mãe ia ser eu????

Ainda estava na maternidade quando me ofereceram um cueiro. Qué esta merda???? Juro que foi o que pensei. Por um lado, sabia lá o que fazer com aquilo! Por outro, aquilo parecia-me pano a mais para tão pouco bebé! E por mais que o bebé ainda não se mexesse puto, à cabeça só me vinham imagens de andar a correr no campo dentro de um saco de batatas!

Na relação do casal isto foi perfeito: temos a mesma visão da coisa: prático!

Agora, há coisas que ninguém bate uma mãe aos pontos: é que eu sei a roupa toda que ela tem. Em que gaveta está. Que umas Croc cor-de-rosa combinam com os calções que comprei nos saldos. E uns colante azuis ficariam a matar com a saia azul às bolinhas que deu a Tia São. Sei que existe um pijama amarelo, guardado na 1ª gaveta, do lado esquerdo, atrás do cor-de-rosa, que tem um urso com um detalhe em pelúcia que ela adora. E sei que amanhã vou tentar vestir-lhe o vestido às flores porque a temperatura ainda o permite mas já não está tanto calor.

O ultimo paragrafo na versão do pai seria: então mas é para vestir calções azuis ou quê?!

:)

CRÓNICA DO PAI:

Realmente há coisas que nunca mudam…
Escrevia (leia-se queixava-me) eu, ainda a Benedita não tinha nascido, da quantidade industrial de roupa que um recém nascido “necessita” como babygrows, fofos, cueiros, chambrinhos e bodies até perder de vista e, quase 9 meses depois, a coisa parece que não mudou nada…

Lá vamos tendo quem nos empreste umas coisitas mas sem dúvida que esta é a parte mais dispendiosa e ao mesmo tempo mais frustrante desta coisa de ter filhos… Se por um lado já começo a dominar o dicionário da indumentária (agora que penso bem, já não me lembro o que são chambrinhos…), continuo sem perceber a necessidade de tanta coisa…. Não imaginam a quantidade de roupa que usou uma só vez e que neste momento só serve para ocupar espaço no armário…

Se me permitem um conselho, caso estejam a pensar ter filhos no Inverno, não se ponham a gastar rios de dinheiro em roupa para os primeiros meses… a pobre da criança se sair de casa meia dúzia de vezes já é muito e para estar em casa, os bodies servem maravilhas…
Aliás, de todas as peças de roupa que a Benedita tem, as mais úteis e, curiosamente as mais baratas, são mesmo os bodies. Aqui não poupem mesmo e quando acharem que já compraram demasiados, comprem mais duas dúzias! Vão por mim…

Por enquanto continuo à espera do tipo que vai inventar a roupa elástica para bebés… Já imaginaram a etiqueta? Tamanho: 0-48 Meses
Brutal! Aviso já, se me chatear muito, começo eu a vender… Vocês terão desconto de amigo, está prometido!

Outra coisa que continuo sem perceber é o porquê das marcas continuarem a vender roupa para bebé com botões! Por amor da Santa! Já não basta a catrefada de coisas que os recém pais têm que fazer no dia-a-dia que não fazem a mínima ideia como se fazem (Farinha de pau! Que raio de coisa é essa?!) como também tenho que passar meia hora de língua de fora a tentar enfiar um botão num buraco que é claramente 10 vezes mais pequeno que o botão, isto só com uma mão porque a outra tem que estar a prender a perna do bebé que se lembrou agora que já sabe gatinhar… Depois vêm-me com aquelas malditas molas, que supostamente vêm ajudar os coitados dos pais, mas que a única coisa que fazem é obrigar-nos a andar com um martelo no bolso para as conseguir encaixar… E isto tudo para quê?! Para quando finalmente chegarmos ao último, percebermos que saltámos um… ou isso ou são número ímpar (que é o que eu faço para manter a sanidade mental…)!
Custava muito terem por exemplo cores diferentes?! Amarelo com amarelo, azul com azul… Não é nenhuma ciência aeroespacial… Um simples fecho eclair, ou velcro… Tudo menos o raio das molas, por favor!

Enfim, qualquer dia crio uma marca de roupa…

Já agora, continuam sem inventar as meias com GPS incorporado e eu continuo a sair de casa calçado com uma de cada cor…

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