Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Dás-me um beijinho, dás?

Crónica de 13 / 09 / 2015

Acho que toda a gente já ouviu a famosa história da tia velha e desdentada que passa a vida a querer um beijinho do sobrinho-neto bebé.

Para isso, eu acho que estava munida de 3 armas, 4 granadas, 5 saídas diplomáticas e 6 ou 7 planos B infalíveis.

Para o que eu não estava preparada, informada, ou sequer consciente, era para que esta pessoa fosse o caixa do supermercado. Um rapaz. De 20 anos.

É que na primeira que desviei a Clara, fiz de conta que não ouvi 10 vezes “dá-me um beijinho” e fiz de conta também que aquela não era a mercearia à porta de casa onde eu vou todos os dias, às vezes várias vezes por dia.

A Clara fez o mesmo: ignorou-o.

Mas depois voltei lá. E lá estava ele. Vezes sem conta: “dás-me um beijinho?” e tentava agrafar-se à miúda. E voltei lá outra vez. E outra. E de repente já não conseguia pagar e ir-me embora sem que ele nos obrigasse a uma quase portagem (quase porque a minha filha recusa-se) de o beijo ao amigo-desconhecido da caixa do supermercado.

Estranhamente não sei o que dizer. Não sei se é por ele tanto saltar de trás da arca dos congelados como estar semi-escondido pelos pacotes de bolachas. Ou por ele ainda ter borbulhas de acne na cara. Ele não é a tia velha! Não é alguém no meio da estrada! Mas… nem ela nem eu queremos o raio do beijinho do caixa de supermercado mesmo que ele tenha 20 anos e os dentes todos na boca!

Ajudem-me! Que dizer?

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