Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2017

CRÓNICA ROUBADA: CASAR E MORAR JUNTO

Crónica de 25 / 10 / 2015

ARTIGO ORIGINAL AQUI

Casar e morar junto são duas coisas completamente diferentes.

Não tem nada a ver com seu status no cartório. Tem a ver com entrega. Você pode casar com todas as honras. Dar uma festa linda. Gastar os tubos na Lua de Mel.

Se mudar com o marido para um apartamento lindo. pronto. decorado. cheio de almofadas em cima da cama… Vocês podem ter se casado – mas vão demorar muito pra saber o que é morar junto. Acho que existem casais que se casam com pompas, e nunca talvez tenham realmente morado juntos.

Morar junto é saber dividir. Saber cobrar. Saber ceder. Saber doar. Morar junto é dividir as contas e as almas.

Morar junto é ter um pilha de louça pra lavar, depois de um dia terrível de 10 horas de trabalho. E o outro cantar com você para que, em um karaokê com detergente, o trabalho se torne divertido. Morar junto é ter que assistir Homem Aranha no Telecine Action, e se esforçar para achar legal.

Morar junto é tomar banho junto.Transformar o chuveiro em uma cachoeira. (e o banheiro em um charco)

Morar junto é ouvir onde dói no outro. Do que ele sente medo. Onde ele é criança. O que o deixa frágil. Morar junto é poder chorar sem parar. E ser ouvida. E cuidada. Mas é também rir. E achar graça em alguma coisa, quando o outro está pra baixo.

Morar junto é fazer contabilidade de frustrações, e saber quando não colocar na conta do outro.

Morar junto é demorar para levantar. Morar junto não precisa de uma casa, e sim de um espaço. Quem mora junto geralmente é solidário.

Casar não. Qualquer um casa. Pra casar basta assinatura e champanhe.

Casar leva umas horas. Morar junto leva tempo. O tempo todo. Quando moramos juntos vemos o cabelo dele crescer e ela cortar uma franja.

Quando moramos juntos viramos adultos aos pouquinhos, dando um adeus doído ao adolescente que éramos.

Quando moramos junto mudamos junto. E o outro vira um outro diferente com os anos. E nós vamos aprendendo a amar aquela nova pessoa, todo dia. Até o dia que, talvez, deixemos de morar juntos.

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