Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

O aniversário de uma mãe

Crónica de 06 / 11 / 2015

Já falei várias vezes sobre isto: os últimos anos não têm sido fáceis.

Posto o que, os desejos de aniversário deste ano eram muito simples: dormir mais 2 horas. ir correr de manhã.

Nada de festas com 4 pessoas no meu T1. Nada de noitadas até às 9 da manhã. Nada de jantares, copos e afins. Nada mais. Nada de especial. Tudo para mim.

Obviamente que quando o universo te tem na berlinda não te deixa “só” desejar coisas simples.

Como dizem os ingleses, “to make things short”, abrevio já e digo que não consegui.

Tudo começou antes: tive uma insónia por causa de mais um dissabor com a porcaria do OLX e passei a noite a pensar “porquê, senhor, porquê continuo a achar que o mundo tem, maioritariamente, pessoas bonitas?!” Não dormi nada. Por isso quando acordei às 7.30 e disse ao M. “Ela é tua. DE prenda de anos, quero dormir!” A minha cara disse a ambos que, de facto, o melhor para eles era livrarem-se de mim.

Acordei às 10, mais fresca e quase fresca mesmo.

Só faltava ir correr! Vesti-me a rigor para o efeito: calções e t-shirt. E liga-me esta e aquela pessoa para dar parabéns. Ligam-me os sacanas da vodafone com quem faço sempre questão de gritar um bocado.

De repente era meio dia.

E claro que a Clara podia almoçar às 13 em vez de às 12.30. Mas estava birrenta. Estava com sono porque isto de mudar de casa também tem sido um esforço para ela. Então eu decidi: não vou correr mas vou ficar já de calções para ir correr à tarde.

E foi assim que vim parar ao dia de aniversário menos glamoroso da história: o dia de aniversário que passei sem tomar banho nem lavar os dentes (porque isso era para depois de correr!), de calções e t-shirt, aos quais acrescentei umas meias e pantufas porque tinha frio, e uma sweat-shirt pela mesma razão.

Não se assustem: o dia não acaba assim porque tenho um jantar pelo que banho e calças estão asseguradas.

E a verdade é que ainda fui bater um recorde: correr 15 km. Tive direito a chuva e a arco-ris. E acho que foi a melhor prenda que me dei a mim própria.

Tomei banho, lavei os dentes, vesti-me e maquilhei-me. Fui jantar com a familia mais intima, a minha bebé incluída. Voltei para casa de barriga cheia.

Porque o que vos quero verdadeiramente dizer é que a vida não é um clichê. A vida não é uma foto bonita onde está tudo bonito e arranjado e tudo corre às mil maravilhas. Há dias assim na vida. Mas a vida não é isso.

E a felicidade muito menos: porque o tempo que teve para andar a brincar com a minha filha, de calções e meias, sem me preocupar com mais nada, é a maior felicidade que eu podia ter desejado para o dia do meu aniversário.

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