Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Profissão: mãe

Crónica de 09 / 11 / 2015

Já fui muita coisa na vida. Já fui empregada de mesa. Já fui directora-geral de uma ONG muçulmana. Já fui voluntária num hospital. Já tive uma empresa minha. Já tentei trabalhar em política. Já trabalhei num Parque Nacional enquanto vivia numa tenda.

Já fui muita coisa na vida. Agora só mãe.

Mas a vida obriga-me a voltar a ter uma actividade.

E eu já fui muita coisa na vida. Mas confesso que o gosto mesmo é de fazer é ser mãe.

Não gosto de arrumar a casa. Não gosto de passar a ferro. Não visto um avental por cima e uma lingerie sexy por baixo. Não. Eu não sou a mulher que adora estar em casa a ser mulher. Eu gosto de estar em casa a ser mãe.

Já fui muita coisa na vida. Mas gosto mesmo é de fazer havaianas a partir de um bocado de cartão. De ir ao jardim apanhar flores. De ler e inventar histórias. De fazer corridas em casa com uma capa de super-herói.

Já fui muita coisa na vida. Mas hoje em dia só gosto de ser uma coisa: mãe.

O pior disto? É que a sociedade o censura. A sociedade censura uma mulher que gosta de ser mãe mais do que gosta de ter uma carreira. Mais do que gosta de ser reconhecida pelo que faz. Uma mulher que gosta de ser mãe mas não gosta de ser dona de casa. E não está nem aí para uma ascensão de carreira: o cargo que tem chega-lhe para ser estupidamente feliz.

Como se todos os milhares de milhões de seres humanos deste humano não tivessem vindo de uma mãe. E são mais felizes quanto mais foram amados por ela.

Já fui muita coisa na vida. E terei de voltar a ser alguma coisa para pagar as contas.

Mas envergarei para sempre, sem vergonha, uma t-shirt que diz: “o que eu gosto mesmo de fazer na vida é ser mãe”.

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