Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2017

CRÓNICAS DE UM TACO DE BASEBOL FORRADO A NAPERON: Como saber se devíamos ter mais filhos

Crónica de 10 / 11 / 2015

CRÓNICA DA MÃE:

Escrever esta crónica é como estar a dar uma entrevista a meias como Brad Pitt (da paternidade, neste caso): sabes que as pessoas te vão ler. Mas o que querem mesmo é saber a opinião do teu co-escrivão! :)

Mas vá, não sou de deitar a toalha ao chão face a um pequeno desafio: que diferença faz se só tenho uma filha e o Fernando 4? Vou escrever um compêndio teórico para me safar e pronto! :p

Então, o meu tema será “como saber se devíamos ou não ter mais um filho. Em 10 passos teóricos!”

  1. Têm pai para essa criança? Parecendo óbvio, não é. Às vezes queremos ser mãe, mesmo sem o pai estar disponível…
    1. Temos um pai interessado em ter mais uma criança? Já ouvi amigos homens a dizer “ela está grávida, lá teve que ser! Já estava na altura.” Não queiram ser essa mulher.
    2. Há mãe e pai interessados? Fixe! Como vai a vossa vida sexual? Ainda se lembram onde fica o pipi e a pilinha? Ah, pois é. É preciso sexar para fazer um filho!
    3. Ambos estão interessados. Tudo sexa. Maravilha. Têm condições financeiras para ter mais um filho? É que mesmo que as fraldas sejam as do mano, lavadas em água da chuva, e amamentados até aos 7 anos a leite materno, eles custam dinheiro…
    4. Ambos querem um filho. Sexam. Têm dinheiro. Têm tempo? Ou vão depositar a criança às 7 AM num sitio de onde o recolhem às 7 PM? Não é impedimento. Aliás, é a condição de muito boa gente. Mas é preciso pensar se queremos ter um filho egoistamente ou não.
    5. Qualquer uma das condições acima que falhe, obriga a recomeçar a formula e a reconsiderar o todo.
    6. Reúnem todas as condições acima, mas têm medo. Comprem um cão.
    7. Reúnem todas as condições acima, mas não sei, sei lá. Comprem um gato. Ou um hamster.
    8. Reúnem todas as condições acima, mas ainda não tiveram coragem de ter uma noite de sexo mais ousada. O Continente começou agora a feira do vinho. É comprar umas garrafas e aproveitar a época propicia à comemoração.
    9. Não querem nem saber da minha opinião e vão fazer o que querem: boa! Quando se pensa em ter um filho, é porque se quer ter um filho. E, tirando raras excepções, não há nada tão amado como um filho que vem ao mundo. Mesmo que não tenha sido planeado ou sempre desejado. Vai ser certamente muito amado

CRÓNICA DO PAI:

Como saber se devíamos ou não ter mais um filho? Nada mais simples:
Da última vez que tiveste um filho a experiência foi extraordinária? Então repete.
Foi giro mas ainda não te sentes completamente satisfeita(o)? Então talvez valha a pena voltar a arriscar.

Não foi assim tão gratificante como estavas à espera? Então deixa-te estar.
Nós os bichos temos a tendência para repetir as boas experiências e evitar aquelas de que não gostámos muito.

A exceção, já se sabe, são os copos: de cada vez que temos uma ressaca juramos que não voltamos a exagerar, apenas para repetir o excesso na próxima oportunidade.

Claro que há limites; para mim, que tenho 4 filhos e 45 anos, se calhar fazer uma vasectomia é mais ajuizado do que ter mais filhos.

Mas há um ponto prévio que convém assumir de forma clara: não existe relação entre o dinheiro e o nº de filhos.

É claro que existem situações extremas de carência (e no nosso País são cada vez mais) mas esses não estão a ler este blog porque não têm net nem computador.

A nossa pirâmide demográfica está em queda desde o início da década de ’80, e não foram os anos de maior desenvolvimento da economia que inverteram a situação. Nos anos ’90 o país estava a florescer cheio de confiança, a economia estava em expansão, todos tínhamos mais dinheiro nos bolsos e acreditávamos que o futuro seria radioso, e não foi por causa disso que começamos a ter mais filhos. Começámos foi a consumir mais – ponto!

Não é o facto de as pessoas terem mais dinheiro que as faz querer ter mais filhos – aliás a crise demográfica é um problema exclusivo dos países ricos.

O “custo” de ter filhos ou a “crise” do momento são apenas uma desculpa para as decisões individuais de cada um.

Não leiam nestas linhas um julgamento moral; acho perfeitamente legítimo que haja quem não queira ter filhos (no plural), seja não ter nenhum ou ter só um*.
Podemos é assumir a decisão de não querer.

Quando vou levar os meus 4 filhos à escola pública na nossa carrinha que já não vai para nova, tenho que aguentar as filas de carros muito mais caros do que o meu que vão levar os seus filhos únicos ao colégio.
É claro que nunca apanharão um casal a dizer que estavam na dúvida entre comprar um bê-éme e ter mais um filho, e optaram pela primeira.

Mas dentro de cada bom carro que vemos com 1 ou 2 filhos, está um casal que preferiu ter um bom carro a ter mais um filho – nada contra a decisão pessoal de cada um; felizmente somos todos (mais ou menos) livres.

Sim, ter filhos dá uma trabalheira desmesurada e obriga a que sacrifiquemos a nossa qualidade de vida individual; obriga a deixar de ter tempo para nós, a adiar ou eliminar alguns sonhos consumistas, etc.
E se vocês têm 1 ou 2 filhos, não imaginam o que “custa” ter 4.

Eu sou aquilo que comummente se designa por um “mil-eurista”, a minha mulher é bancária (não confundir com banqueira) e não foi por causa disso que deixámos de ter o nº de filhos que nos apeteceu.
Ah, e foi mesmo porque nos apeteceu (não há nenhuma motivação religiosa, até porque somos ambos ateus).
Em suma – se estão com uma pontinha de vontade, ide e multiplicai-vos.

No fim vai sempre correr bem porque, como diz o ditado, numa casa onde nasce mais um filho dividem-se as tristezas e multiplicam-se as alegrias.

Não se ponham à espera do momento certo ou de melhores dias porque o melhor momento é sempre este!
Aproveitem que hoje não dá nada de jeito na TV, e daqui a 9 meses venham mostrar-nos as fotos do resultado, ok?

*Sim, escrevi que quem tem um filho se inclui na categoria de quem não tem filhos porque existe uma diferença entre singular e plural. Quem tem um filho não tem filhos, tem filho. E é evidente que o fiz para espicaçar a minha amiga Patrícia que só vai ler isto depois de publicado.
Há algo de deliciosamente perverso neste formato, eh eh

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