Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Espelho meu, espelho meu...

Crónica de 19 / 11 / 2015

Quem me conhece, sabe que sou uma rapariga de altos decibéis, quer no discurso, quer no pensamento, quer nas atitudes.

Mas a maternidade muda tudo e, por isso, enquanto mãe sou uma pessoa moderada, que reage sempre calmamente, mesmo quando é para dizer (em decibéis mega simpáticos) “Clara, não mexas aí que podes partir isso meu amor, já te disse 15 vezes.”

Mas esta coisa de uma pessoa achar que parece um cordeiro quando tem um lobo dentro de si, é como comprar umas calças 38 na esperança de um dia caber lá: há sempre matéria a sair por fora.

Ora há dois momentos, e só dois!, que me tiram do sério e me fizeram mostrar à minha filha o meu lado de bicho em fúria: quando estou há mais de 45 minutos para a adormecer (sim, já cronometrei o tempo que é necessário para me tirar do sério) e quando falo ao telefone com a EDP (essa empresa que só de dizer o nome que vêem logo à cabeça 345 palavras esdrúxulas).

Como ultimamente ela demora 50 minutos a adormecer e eu tenho de falar com a EDP 4 vezes ao dia (esses… energúmenos! filhos de uma grande… senhora da má vida!) digamos que a mãe fofa da Clara tem mostrado à própria da Clara que, de vez em quando, e em situações peculiares, grita, bate com a mão na mesa, e insulta senhores de uma empresa chamada EDP ao telefone.

Mas o meu lado maternal fofo sempre achou que o que iria sobressair e prevalecer era isso mesmo: o meu lado maternal fofo.

Estava eu muito enganada. E percebi-o quando, do nada, ela começa a gritar sozinha – na verdade não era bem sozinha, era mesmo a gozar comigo mas ignoremos esse facto… – a dizer “pára! tens de dormir!” “vou ligar à Galp!” e outras palavras do género, em decibéis muito acima do da mãe fofa.

Espelho meu, espelho meu, diz-me como te passas mesmo quando achas que os teus filhos não ouvem e eu digo-te como eles vão gozar contigo quando têm a certeza que estás a ouvir…

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