Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2017

CRÓNICAS DE UM TACO DE BASEBOL FORRADO A NAPERON: Quem corta as unhas da criançada?

Crónica de 24 / 11 / 2015

CRÓNICA DA MÃE:

Bem isto de falar de unhas contra um pai de quatro crianças é desmoralizador… afinal estamos a falar de 20 unhas versus 80…

Deixa-me lá acreditar que sendo eu mulher e ele homem talvez o voluntarismo me safe! Não, espera, o Fernando tem 2 gémeas de 10 anos logo eu e a minha cria de 22 meses tínhamos de ter aberto uma loja de manicure!

Bom, não vou desistir já!

Vou-vos contar que cá por casa, incialmente, dividíamos tarefas como se divide um bolo: com fatias exactas. O banho era do pai. A comida era comigo. As histórias eram da mãe. Os biberões eram do pai. As fraldas eram de quem as apanhava…

As unhas eram a faixa de Gaza: território de ninguém!

Até que a chavala começou a ficar com umas unhas grotescas e então foi preciso fazer alguma coisa. Eu, gaja semi-corajosa, comecei a abordar o monstro: as primeiras vezes fechava os olhos quando as cortava, tipo “Que seja o que Deus quiser!”

Tentei de tudo: limas. corta-unhas. tesouras. Tive muita sorte que a minha miúda não é esquisita. Tirando com as unhas dos pés. E também nunca fez queixa à protecção de menores de um ou outro lanho que levou.

Hoje em dia temos um tratado de pés (talvez meio ao género guerra fria…): as unhas são da mãe. E, uma vez por semana no verão, de quinze em quinze dias no inverno, ao som de um qualquer programeco de TV, ela lá me deixa dar mais um ou, com sorte, nenhum lanho.

Bem sei que um pai de 4, com 10 anos de gémeas, terás triliões de histórias de unhas para contar.

Mas cá em casa… Cá em casa o pai nunca ripostou esta divisão de tarefas o que faz de mim a camisola amarela com aproximadamente 1,000 unhas cortadas e nem 10 lanhos dados :)

CRÓNICA DO PAI:

Fazer com que o corte de unhas seja um momento divertido?

Só se vocês tiverem uma deficiência mental profunda e o simples facto de conseguirem manusear o corta unhas já for uma vitória. Cá em casa são 80 unhas para cortar, nunca vai ser divertido.

Da mesma forma que mudar fraldas e inalar o cheiro da caca e dos gases de lactentes nunca vai cheirar a água de malvas, por muito que gostemos dos nossos filhos – uma poia é uma poia, aqui, na Austrália e na Estação Espacial Internacional.

Mudar fraldas é uma merda e cortar unhas é chato.

Em alternativa podemos ensiná-los a irem roendo; é uma excelente estratégia mas tem que ser feito às escondidas da mãe.

Ainda assim mantemos a esperança de que a coisa é transitória – à partida, será apenas uma questão de tempo até elas cortarem as suas próprias unhas.

Até lá, a única regra obrigatória é nunca o fazer aos 4 no mesmo dia.

Geralmente é a mãe que repara que estão com “unhas de bruxa” e quem se encarrega do desbaste é quem ajudar aos banhos nesse dia.

Mas cá em casa ainda temos a Dona Inês, a cadela, e a missão calha sempre pai. Quer dizer, ao dono.

Acreditem que há poucas coisas mais complicadas do que cortar as unhas a uma cadela tonta e medrosa que acha sempre que a vão esquartejar de cada vez que me vê com o alicate na mão – e à Inês as unhas crescem a um ritmo alucinante; tão alucinante quanto ela é alucinada.

É muito mais fácil cortar as unhas aos 4 homo sapiens sapiens cá de casa do que à canis lupus familiaris que adoptámos.

Mas não deixem de ter mais filhos só por causa disso, ok? Eu estava a brincar.

A sério, cortar unhas é super divertido…

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