Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

O que se deve esperar de uma escola?

Crónica de 10 / 12 / 2015

Hoje, finalmente instaladas, tínhamos como programa matinal ir visitar a escolinha aqui do bairro.

A minha filha, eventualmente farta de levar comigo, estava toda contente por ir ver outros micro-seres: “escolinha, escolinha!” dizia ela.

Com os seus quase 20 kg, saltava-me do colo sempre que via uma sala de crianças e eu, que já carrego com ela tipo saco de batatas, perguntei á senhora que me falava da escola: “posso deixa-la ir brincar com as crianças?”

E finalmente, e para alivio das minhas costas, lá foi ela a toda a velocidade. Fui olhando a ver se a via até que a deixei de ver. Mas, como cá em casa, o silêncio é a prova de que está tudo bem pelo que continuei a minha conversa de mãe.

Até que desato a ouvir chorar e voo, qual mãe predadora em direcção à minha filha. Estava no chão a chorar e, sem querem saber, nem parei para olhar à volta pois só me interessava ela.

A Clara continuou a chorar e, quer eu quer a senhora da escola, ignorámos como se de mimo fosse.

Quando chegámos à rua, e sentindo-se já à salvo disse-me: “as meninas bateram-me…”

Vontade mesmo, tinha de voltar atrás e pregar uma lambada em cada uma. Mas controlei-me e dei inicio à conversa de “se te baterem tens de te defender”. “mas bater é feio” retorquiu ela. Com toda a razão.

A conversa continuou até agora à hora de ir dormir. Quando me contou com mais detalhe que lhe bateram na cabeça porque não queria fazer um puzzle.

O meu coração está do tamanho de uma ervilha anã.

Mas a minha cabeça, essa lembra-se de ver, na sala da idade dela, crianças a fazerem aquilo que faço com ela desde os 6 meses: pinturas.

E há uma pergunta que não me sai da cabeça? QUE ESPERO EU DE UMA ESCOLA?

A minha filha já sabe contar e sabe as letras. Pintamos com aguarelas, canetas, e até comida. O que eu esperava de uma escola era que lhe trouxesse socialização. Que, eventualmente no meu entender ingênuo, não envolveria saber andar à porrada logo no primeiro dia.

Eu sei que as pessoas constroem o seu próprio destino. E que a escola é só um percurso.

Mas é um percurso marcante. Especialmente se no primeiro dia te frustram as expectativas e a lição afinal é que tens de bater de volta.

Vou repensar muito melhor a ida da Clara para a escola. Eu não sou a mulher professora do mundo. Nem ela é melhor que os outros.

Mas se é isto a socialização, pode sair mais barato inscreve-la apenas num curso de boxe para crianças.

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