Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2017

Desejos de uma mãe de uma e um pai de quatro para o ano novo

Crónica de 29 / 12 / 2015

CRÓNICA DA MÃE:

Ora bem… costuma dizer-se que um pai, e ainda mais uma mãe, sabe o que é melhor para o seu filho! Então começo por partilhar convosco o que espero que a Clara deseje para o ano novo:

  1. Aprender a dormir sozinha. Confesso que o enamoramento de a adormecer horas a fio está a acabar e a torrar-me a paciência…
    1. Deixar de esfregar as mãos na cabeça quando acaba de comer. Com as mãos… A quantidade de gordura que deixa no cabelo assombra o orçamento de shampoo desta pequena casa!
    2. Aprender a arrumar a casa. Não era uma maravilha? Vá, contentava-me com arrumar os brinquedos dela…
    3. Passar a comer menos. Hoje fui à farmácia e disse que a minha filha devia pesar 20 kg. Pesei-a e eram só 15,6 kg. Mas encarreguei-me de dizer à farmacêutica que a pegasse ao colo e confessasse se não pareciam 50 kg. A verdade é que me sinto assombrada pela hipótese dela rebentar antes dos 6 anos…
    4. Continuar a amar a mãe mais que tudo. Sei que um dia vai passar. Mas este amor enche-me o coração e queria que durasse para sempre…

Agora eu… que quero eu para mim? Acho que quero várias coisas. Muitas, aliás. Tantas… conseguirei conserta-las todas em palavras? Vou tentar :)

  1. Quero amar mais e melhor. E dizer às pessoas que gosto delas. Acho mesmo que o amor é um exercício de não nos chatearmos tanto.
    1. Quero ter mais tempo para mim. Sim, este bigode não tem piada nenhuma…
    2. Quero conseguir um trabalho ou qualquer forma de actividade onde sinta que, além da melhor mãe do mundo, sei fazer mais qualquer outra coisa…
    3. Quero conseguir comer menos e não me vingar na comida quando estou feliz, triste, contente, irritada ou qualquer coisa, na verdade.
    4. Quero conseguir correr a meia-maratona em Março: acho mesmo que o exercício fisico é das melhores coisas (gratuitas) que podemos fazer pela nossa felicidade.
    5. Quero que as crónicas da maternidade sejam um sitio onde consigo, cada vez mais, espelhar histórias de outras pessoas que se sentem sozinhas.
    6. Quero passar menos tempo nas redes sociais. De social isto às vezes tem muito pouco. Além de que é tempo que não faço “cenas a sério”.
    7. Quero viajar com a minha filha. Nem que seja ao Entroncamento: as raízes são, às vezes, fontes de segurança traiçoeiras.
    8. Quero que alguém descubra a cura para comer e não engordar. Isso é que era!!
    9. Quero aprender qualquer coisa nova. Uma língua. Uma arte. Um desporto. Tanto faz.

E, last but no least, como dizem os ingleses, gostava que continuassem por aqui, a sentirem-se bem, e a mostrar, comigo, ao pai de quatro que ser mãe de uma também nos dá cabelos brancos. Mas também nos faz muito felizes :)

Se não falarmos mais, até para o ano!

CRÓNICA DO PAI:

Para mim é fácil imaginar que no próximo ano vou ser melhor pai do que em 2015. É que o ponto de partida é tão fraquinho que a coisa só pode melhorar.
Em 2016 gostava de ter mais calma do que em 2015, e de recorrer menos vezes ao piparote (eufemismo) para resolver os meus problemas de falta de paciência.
Como demos telemóveis às mais velhas, tenho uma ferramenta fantástica para castigá-las: portas-te mal = passa para cá o telemóvel.
EUREKA! Nunca mais puxo do cinto…

Decisões para eles?
Bom, temo que nenhuma venha a ser aplicada mas ainda assim, aqui fica a lista:

Rita (10 anos): passar a ser menos respondona e obedecer ao pai com um sorriso sincero nos lábios.

Rosa (10 anos): amadurecer um pouco, aumentar a capacidade de se concentrar, começar a dar mais atenção aos estudos, e obedecer ao pai com um sorriso sincero nos lábios.

Zé Miguel (6 anos): deixar de alternar entre ser o miúdo mais querido do mundo e a pessoa mais chata do universo, apostando tudo na primeira opção. Ah, e obedecer ao pai com um sorriso sincero nos lábios.
Joana (4 anos): passar a acordar bem disposta como toda a gente lá em casa, e deixar de tentar mandar em todos incluindo a mãe e o pai – se quer mandar, tem a cadela. Mas sobretudo, obedecer ao pai com um sorriso sincero nos lábios.

Dona Inês (a rafeira de 5 anos): passar a ser um cão normal. Não peço para que comece a obedecer-nos porque conheço as limitações da sorte – mais facilmente me sai o euromilhões, mesmo sem jogar.
Caramba, não é pedir muito.

À parte disso, gostava que todos os fundamentalistas islâmicos se convertessem milagrosamente ao budismo. O mesmo é válido para todos os demais fundamentalistas em geral (católicos, comunistas, neoliberais, bandas de heavy metal, jogadores de chinquilho, banqueiros, sei lá…).
Não era giro ver o Ricardo Salgado e acólitos a abdicarem dos bens terrenos e a passear no Guincho com o cabelo rapado e uma túnica cor de laranja?
Bom, se não se conseguir, ao menos que se consiga vestir-lhes um macacão cor de laranja, daqueles dos filmes americanos – já era qualquer coisa…

Como nada disso vai acontecer, peço apenas que a Patrícia, minha compincha destas crónicas, tenha um ano estratosférico.
Que (quase) tudo na vida lhe corra estupidamente bem, mas que no futebol as coisas lhe corram só estupidamente.
Se fosse assim, 2016 já seria um bom ano.

P.S. Não se esqueçam contudo que o “fim do ano” e o “ano novo” são uma invenção dos humanos.
Qualquer minuto de qualquer dia é legítimo para tomar decisões, ok?
E 2016 até é ano bissexto – podem perfeitamente mudar qualquer coisa para melhor no dia 29 de Fevereiro.
Go! Go! Go!

Mais Crónicas:

-->