Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

CRÓNICAS DE UM TACO DE BASEBOL FORRADO A NAPERON: E a partilha de tarefas?

Crónica de 05 / 01 / 2016

CRÓNICA DA MÃE:

Tinha eu 18 anos quando fui viver para Londres e acabei, como qualquer jovem, a dividir casa com um bando de macacos (e macacas, incluindo eu).

A casa tinha 4 quartos e chegámos a ser 10. Nenhum casal, entendam.

Éramos 4 mulheres e 6 homens, de várias nacionalidades, origens culturais e faixas etárias.

Onde quero chegar? Epá, não me lixem! Os homens não gostam de limpar, arrumar ou qualquer outra coisa terminada em ar ou não mas que implique o lar! Ponto.

Estatisticamente. Geneticamente. Culturalmente. Está tudo na mente! (de um homem, claro.)

Ah, mas e depois casam-se e o amor e os filhos? O quê depois de casarem é que vão arrumar? AHAHAHAHAHAH Mas então se aí já há alguém que limpe vão limpar para quê?!

Qual é a salvação então? Encontrar um homem que desafie a estatística. Porque eles existem. Mesmo que sejam poucos. Uma das provas é o pai da Clara. O M. gosta de ter a casa limpa. E, hoje, porque sei que não foi sempre assim, percebe que se não limpar não aparece limpo.

E sabem porque não aparece limpo? Porque eu também desafio a estatística: eu não gosto de limpar. Epá, já falei aqui sobre isso:

Se gosto de uma casa limpa? Sim.
Se gosto de uma casa arrumada? Sim.
Cama feita? Sim.
Se gosto de fazer qualquer uma destas coisas? Não.
Se aparecer feito ofereço-me para fazer? Pois está claro que não!

Isto para dizer que não há formulas. Cada pessoa é uma pessoa.

Desculpem, há apenas uma fórmula: quanto mais um fizer, menos o outro tem de fazer. E se o outro não dá importância à casa limpa, azar o de quem der: terá, de facto, de o fazer sozinho. E não deveria estrebuchar.

(Sou muito pouco gaja neste tema, confesso…)

CRÓNICA DO PAI:

Partilha de tarefas? SOU CONTRA!
A sério, pá, escusam de vir com modernices. Sou contra, e se vocês forem intelectualmente honestos(as) também são contra.

A partilha de tarefas é uma merda, pela simples razão de que as tarefas são, em si, uma chatice.
Sempre que acabo de deitar os miúdos e volto rebentado para a cozinha ainda por arrumar, olho para aquele granel e pergunto-me:

“- Mas onde raio se meteu o Carson?” (Sim, o mordomo do Downton Abbey)
Eu merecia ter um mordomo e uma equipa de criadagem pronta para me pouparem a essas maçadas. Pelo menos uma “criada de dentro”, vá. Também não preciso de um tipo para me ajudar a vestir o pijama como fazem com His Lordship…

Não, eu não gosto de dobrar 50 pares de meias, quase todas pretas ou azuis escuras, que levam horas a emparelhar, e que depois de dobradas nunca sei de quem são (à parte das minhas e da Joana que, por calçarmos o 41 e o 25, são fáceis de distinguir).

E não gosto de dobrar as cuecas de uma casa de 6 pessoas só por ser bastante mais fácil do que as meias. São menos (não as usamos aos pares) e algumas têm bonecos o que ajuda imenso a saber de quem são (Kitty para a Joana, Faísca McQueen para o Zé e por aí fora). O facto de ser mais fácil do que as meias não torna a tarefa apetecível – torna-a apenas menos má.

Não gosto de estender roupa. Como tenho uma costela de designer, entretenho-me a combinar as cores da roupa com as cores das molas, e nunca ponho molas de cores diferentes a segurar a mesma peça de roupa. Se for eu a estender, o estendal parece uma loja da Lacoste com os pantones todos no sítio; mas eu não gosto na mesma.

Não gosto de pôr a loiça na máquina – só o faço porque sou o único lá em casa que sabe onde é que cada peça encaixa melhor. E não é o facto de meter a loiça na máquina ser a tarefa doméstica mais parecida com fazer Legos que torna aquilo um deleite.

Não gosto de varrer, não gosto de passar o swifter, não gosto de fazer as camas, não gosto de tratar dos lanches dos miúdos que todos os dias querem mudar a ementa, não gosto de apanhar o cocó do cão, não gosto de me levantar cedo, não gosto de aspirar, não gosto de arrumar a mesa, nem as secretárias, nem o quarto dos brinquedos, nem de mudar a roupa das gavetas quando muda a estação.

Não gosto de pensar que uma está a precisar de calças e a outra de um casaco para a chuva e a outra de camisolas interiores e ele de uns ténis. Não gosto de ir ver os sacos onde está a roupa dos mais velhos e o que se foi herdando para ver se já serve a alguém.

Sabem do que é que eu não gosto mesmo?

Eu não gosto sequer de ter que pensar nessas coisas.

Por mim, não pensava sequer nessas tarefas, quanto mais executá-las.

É por isso que sou, por uma questão de princípio, contra a partilha de tarefas.

Agora a sério, onde raio é que se meteu o Carson?
CAAARSOOOOOOON
(ca porra)

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