Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Ai Joaquim, mais uma destas e vais pia abaixo!

Crónica de 08 / 01 / 2016

O Joaquim era um português que imigrou para o Canadá e lá viveu uma porrada de anos.

Conheceu a Marie (nome ficticio, só me lembro do do Joaquim), casou, teve filhos e lá viveu feliz para sempre. Até se reformar e querer voltar a Portugal.

A Marie, imbuida certamente do espirito de amor ao marido e à terra natal do mesmo, acedeu e mudaram-se de malas e bagagens para cá.

Mas o Joaquim, marido exemplar durante os últimos 30 anos, precisou apenas de pisar em definitivo a dita terra natal para ir buscar ao seu recôndito ADN tuga as atitudes de um homem execrável.

Eis se não que, depois de mais de 30 anos casados, a Marie e o Joaquim se separam e começa um divórcio litigioso de partilha dos bens acumulados com as riquezas do além-mar.

Mas a sorte do Joaquim estava ditada e, um dia no meu desta guerra, dá-lhe uma coisinha má e parte para o outro lado, sem que o divorcio seja levado a bom (ou mau…) porto.

A Marie, viuva e em terras lusas, decide que pode afinal perdoar o Joaquim e faz tudo para o seu funeral que faria se ainda fosse sua legitima esposa. E até cede o topo da lareira para ultimo descanso das cinzas do defunto Joaquim.

Mas o Joaquim, mesmo depois de morto, ainda tinha uma na manga: uma carta, escrita pelo seu advogado, que jurava não deixar nem um cêntimo a Marie.

Ora os CTT em Portugal não são os no Canadá e, assim, quando a Mary recebeu a carta, já o Joaquim decorava a borda da lareira há muito.

E, aqui, retomamos o tema da crónica, e a frase que me ficou na cabeça desde que me contaram esta história verídica, há mais de 10 anos. O momento em que, recebendo a carta indecorosa, a Mary se volta para o Joaquim agora no vasinho e diz: “Ai Joaquim, Joaquim, mais uma destas e vais pela pia abaixo!”

Só ainda não vos expliquei porque vos conto eu esta história aqui, sendo que ela de maternidade não tem nada.

É que 99% das mães de bebés têm pena de não ficar em casa com eles. É que nesta fase eles são umas criaturas fofas, que podemos encher de folhos, que riem ou choram mas não saem do mesmo sitio. E por isso apelam, mesmo, ao melhor de nós. Porque são altamente passivos.

Mas este numero, das pessoas que querem ficar em casa com os seus adoráveis bebés, baixa redondamente conforme as crianças vão crescendo. E, aos 2 anos, quando elas se sujam a elas e a ti, a casa o chão e as paredes, correm gritam e te desafiam, para assim definirem a sua personalidade, deixa de ser tão cupi cupi, fofinho e amoroso estar em casa com eles.

E portanto, ontem quando a Clara estava a ter um dia desses, eu, qual Marie, pensei: “ai Clara, Clara, mais um dia destes e vais para a escola interna!”

Que me atire a primeira pedra quem nunca o pensou. Só não sabiam pensar com tanta piada porque não conheciam a história do Joaquim, confessem. Agora já sabem.

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