Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Filhos vs Não filhos. Ou a minha história com o não primo do Brad Pitt

Crónica de 18 / 01 / 2016

Isto de ser mãe já não apela à sensualidade máxima: quando não é nódoa de leite, é de papa, comida esborrachada ou matéria indecifrável.

A somar à falta de tempo e dinheiro para ir ao cabeleireiro. Só há uma maneira de isto piorar: ser uma mãe que fica em casa.

A meu ver, os petinhas safam-se e continuam a nascer por uma simples razão: porque nos fazem sujas. E extremamente felizes.

(O argumento acima deve ser rectificado: eles continuam a nascer porque nos fazem felizes MAS TAMBÉM porque quando os fizemos, ou fizemos o primeiro, não tínhamos as nódoas na roupa :))

Mas porquê esta felicidade parva?

Confesso que não sei. Mas sei que quando fui correr no sábado, sem tomar banho há dois dias, com roupa que serve para correr, dormir ou andar por casa, ia a sorrir.

E reparei que ia a sorrir, no pico de orgulho da minha sujidade, quando olho para uma rapariga a passear de mão dada com um rapaz. Namorados. De inicio da coisa, pressupus.

A rapariga estava nervosa, ansiosa. Como eu deveria estar, a pensar que alguém podia perceber o meu estado de sujidade.

Tinha uma camada de base na cara suficiente para ter vazado uma prateleira de supermercado (been there, done that). Estava com roupa mais apropriada a um casamento que a um passeio na praia (been there, done that). Penteada como ninguém está ao sábado de manhã (nah, penteada nunca foi o meu género). E tinha aquele ar nervoso na cara, de quem acha que se se portar mal o rapazola (que juro não era nem primo afastado do Brad Pitt) não lhe volta a ligar ou enviar um sms.

Porquê é então a felicidade da rapariga suja e não da moça arranjada?

Porque a rapariga suja é mãe. E ser mãe ensina-te que o amor não vem da roupa, maquilhagem, perfume ou penteado.

Ser mãe ensina-te que o amor vem precisamente do oposto: vem de estares suja, sem dormir, com má cara, qui ça a cheirar pouco bem, e os teus olhos e os do teu pequeno ser cruzam-se com um brilho que diz: “amo-te para sempre e cada vez mais.”

Algo a nunca esperar (talvez nem desejar)do nem sequer primo do Brad Pitt, convenhamos.

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