Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

CRÓNICAS DE UM TACO DE BASEBOL FORRADO A NAPERON: O ORGASMO

Crónica de 09 / 02 / 2016

CRÓNICA DA MÃE:

Para mim, o orgasmo é como o euromilhões: toda a gente fala dele, mas podes passar uma vida sem o ganhar.

Tudo começa na juventude. Acho que passei anos sem saber o que era o orgasmo. Não que não o sentisse, isso não era relevante. Simplesmente não tinha maturidade para no momento do êxtase discernir o que estava a acontecer ao meu corpo.

Felizmente que a juventude não são só coisas boas! Não ter ancas, dormir apenas 3 horas, comer um boi e não engordar são vantagens meramente guardadas aos jovens. Mas não é um período famoso por se conhecer bem o nosso corpo e as nossas emoções. E graças a Deus o orgasmo torna-se melhor com a idade. (Não podia ser tudo mau certo?)

Ora isto traz algumas desvantagens para os homens: é que, aqui que ninguém nos ouve, vos confesso que acho que a esmagadora maioria deles não percebe pevas do corpo da mulher. E se percebe do corpo, não percebe das emoções. E diria mesmo que 99,9% deles não percebe que o nosso corpo e as nossas emoções são um só.

Por isso eles não percebem que raio um dia mau no trabalho tem a ver com não querermos “festa” à noite. Ou porque se habilitam a 2 dias sem lhes falarmos se chegarem ao pé de nós e simplesmente disserem: “a bola só começa daqui a meia hora, bora?”.

Atenção, não sou uma pudica. Acho que uma boa … sessão de amor faz maravilhas para curar um dia mau no trabalho e que meia horas, às vezes, chega e sobra para ir à lua e voltar.

Mas nós mulheres precisamos de uma sintonia que os homens não percebem.

Claro, isto se for para ser uma experiência genuína com direito a um orgasmo genuíno.

“Ah, o quê? vocês fazem de conta?” Deixemos essas revelações bombásticas e destruidoras da auto-estima da maioria dos garanhões para outra crónica.

Até porque, porque nós e só nós sabemos como funciona a ligação das emoções e do corpo, conseguimos levar o nosso corpo ao orgasmo se as condições estiverem criadas.

(Espera Patricia, se calhar não devias revelar isso…). Desculpem, enganei-me. Os homens levam as mulheres ao orgasmo, os homens! (… ufa, acho que disfarcei a tempo!!)

CRÓNICA DO PAI:

Ó pá, eu estava tão descansado no meu cantinho.
Não levantava ondas, ia fazendo os meus cartoons, descansado da vida…
Depois aparece-me a Patrícia a desafiar para estas crónicas de pai e mãe e eu achei giro. Os temas sugeridos abordavam temas como “quando ter mais filhos”, “divisão de tarefas em casa” ou o polémico e fraturante “quem é que corta as unhas às crianças”.
Depois a coisa adensou-se com “o que muda no sexo depois de ter filhos” e daí passou para o “sentir atração enquanto se está numa relação”.
E agora, de repente, pimba: o orgasmo.
Está um gajo descansado, o telemóvel apita, vai ler-se a mensagem que podia ser da filha de 10 anos a dizer que o teste de matemática correu bem, mas não; é a compincha das crónicas do blog a perguntar: “Olha lá, e se o tema desta semana fosse o orgasmo?”.
Quem? O Orgasmo Carlos, aquela personagem do Manuel João Vieira? – perguntei eu a ver se disfarçava…
Mas não, era mesmo o orgasmo – orgasmo.
Por mim é na boa; para quem há um mês atrás estava a escrever sobre cortar unhas, digamos que é um pequeno passo para o homem mas um grande passo para a Humanidade.
O orgasmo é um tema é parvo, convenhamos.
Dá para divergir? Não!
Toda a gente gosta do orgasmo, desde o jihadista encapuçado até à moça despida daquele site de filmes para adultos que um amigo meu uma vez me falou (mas que evidentemente eu nunca vi).
Lembro-me de me contarem que em Anadia havia um velhote, rotulado de louco, que se passeava pela praça principal e cafés circundantes, e que dizia repetidamente a qualquer pessoa que encontrasse “um gajo quer é vir-se”.
“Um gajo quer é vir-se” é uma visão muito resumida do orgasmo e apresenta a vantagem de não ter género porque as miúdas também se querem vir. Mas enquanto resumo pode estar incompleto.
Uma vez estavam uns amigos a falar desse velhote e a repetirem a sua frase só para chatearem uma amiga nossa; e ela, com a mania de que eu sou um tipo menos grunho do que a média, quis que eu falasse sobre o assunto a ver se lhe dava razão – queria que um homem (eu) dissesse aos outros que o sexo não é só um gajo vir-se, que não devemos ser egoístas, e que antes e depois do orgasmo devemos ser carinhosos e preocupados com as Marias.
Claro que sim…
Mas ela queria que eu o dissesse publicamente à frente de outros tipos e todos sabemos que isso é impossível.
Tive que a desiludir; respondi que depois do orgasmo começo logo a pensar em coisas do género: “é pá, com quem é que o Sporting joga este fim de semana?”.
Os meus amigos desataram-se a rir, a minha amiga fez uma cara enjoada, e eu abri mais uma mini orgulhoso da minha piadinha neanderthal…
Mas longe da pressão do julgamento por outros machos, é claro que o orgasmo vivido a dois é a melhor invenção da História – seja em simultâneo ou em timmings diferentes.
Deixem-me que vos diga que também sou completamente a favor do orgasmo autoinfligido, ok? Um gajo quer é vir-se!
Mas por mim, não há nada mais estimulante do que sentir o entusiasmo do “outro”.
Saber que o outro está a gostar, sentir que o outro se está a vir, é a maior injeção de autoestima que se pode receber.
É aí que é legítimo um gajo pensar “porra, eu devo ser mesmo muita bom na cama” sem que isso soe a machismo ou gabarolice.
É genial.
Vá, agora desliguem a merda do facebook e vão para a cama!
(sozinhos ou acompanhados…)

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