Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Há uma linha que separa a mãe ...

Crónica de 22 / 02 / 2016

que achamos que devíamos ser da mãe que os outros acham que devíamos ser.

Acho que toda a minha vida as pessoas à minha volta acharam que eu iria ser uma mãe destrambelhada, quando esse dia chegasse.

Sempre senti que temiam que a levasse a sair à noite. Ou a deixasse desde cedo em casa com uma qualquer babysitter duvidosa. Que a levasse para restaurantes desde o primeiro dia de vida. E que a levasse às festas onde eu ia e onde ela poderia dormitar, qui ça, no chão.

Mas eu, que reza a lenda que desde pequena quero ser mãe, tenho surpreendido todos! Ou achava eu…

A verdade é que não almoço fora, porque a sesta da minha filha é importante. Raramente janto fora, a não ser que isso a inclua a ela. Se vou com ela a uma festa, volto para casa antes de alguém poder chamar a protecção de menores (ou seja, quando chega a hora dela). Dou-lhe só comida biológica. Tenho cuidado com os açucares. E não gosto que ela “prove de tudo”.

Uma mãe exemplar! Ou achava eu…

A verdade é que a maioria dos insultos que já recebi, da família e amigos pois está claro, são sempre contrários ao que eu achava que ia ouvir:

– “então não podemos almoçar às 14 porquê? Tem que dormir outra vez?” (sim, dorme todos os dias…)
– “então já te vais embora para casa? Por causa dela? Começa cedo a mandar em ti!” (é verdade, ir para casa às 10 da noite faz de mim um pau mandado…sorte a da minha filha.)
– “então não lhe dás um bocadinho de café? só para provar!” (não, não me lembro de ter visto na lista da pediatra o café…)

E assim a vida me tem mostrado. Mostrado que há uma linha que separa mãe que eu acho que devia ser da mãe que os outros achavam que eu devia ser.

Mas deixem-me que vos diga que nunca fui tão feliz por ser a versão careta da história. Acredito que a minha filha também.

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