Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Mãe é (sempre) mãe?

Crónica de 24 / 02 / 2016

Ontem liguei a uma jovem senhora para falar sobre uma possível acção de coaching (Alguém já ouviu falar de algo que se chama “propósito de vida”?)

Eu cada vez gosto menos de falar ao telefone. Para falar, gosto de estar sentada à mesa, com um copo de vinho e nada mais na mente. Durante o dia esse nunca é o espirito pelo que prefiro SMS.

A jovem senhora é também bastante ocupada e, portanto, estávamos a tentar resumir em 5 minutos a fase do da apresentação, engate e namoro da fornecedora e cliente.

Claro que ela estava ocupada porque estava a conduzir de uma empresa para outra e eu porque estava a cozinhar e a aturar uma birra ao mesmo tempo.

Mas tempo é tempo, e o dela tão precioso como o meu ainda por cima ambas a tentar ser sucintas.

Tudo bem até aqui.

Chegámos então à parte da consumação: onde e quando nos podíamos encontrar. É nesta fase que eu, inevitavelmente, tenho sempre de dizer: “a minha filha está em casa comigo e não tenho onde a deixar, tenho de a levar comigo, há problema?”

E é aqui que a história começa (sim, acima foi mera introdução :)): A jovem senhora responde-me que está absolutamente fora de questão. Que tem colegas noutras salas que não podem tomar conta da criança (não, eu tomo!) ah, ainda pior, preciso de si concentrada e não distraída com a criança!

O meu primeiro sentimento foi de alegria: há tanto tempo que eu não era tratada sem ser como mãe! Achei, inicialmente, o máximo: estava ser tratada como pessoa, profissional e não como mãe. Há 2 anos que isso não acontece.

Mas depois caiu-me a ficha: espera ai… mas eu sou mãe! Eu sou sempre mãe! Mesmo que não esteja com a minha filha, eu nunca mais deixo de ser mãe!

E ai nasceu-me uma estranheza em relação à jovem senhora. Correctamente ou não, pensei logo que não deveria ser mãe para pensar assim. Mas há mães de vários géneros – há até a vice-presidente da YAHOO que voltou ao trabalho 2 semanas depois do filho nascer – não queria ser injusta.

Mas também eu já fui uma corporativa bad ass, que tomava decisões rápidas e tinha de ter sempre em mente os resultados. E se há algo que me lembro bem é que nunca devemos deixar de olhar para a história das pessoas. E senti que a jovem senhora não olhou bem para a minha.

Não sei se mãe é sempre mãe. E se eu não estou apenas a não saber viver na ausência do meu apêndice ou novo titulo profissional. Mas sei que existe algo chamado instinto. E o meu diz-me que este namoro começou torto.

E vocês? O que acham?

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