Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Os meus filhos são demasiado novos para me separar

Crónica de 07 / 03 / 2016

Tenho eu ouvido a vários amigos, homens e mulheres.

Não sei bem o que sinto, mas acho que é tristeza.

Tristeza por pessoas adultas colocarem nos filhos o peso das suas próprias acções.

Tristeza por ver jovens nascidos e criados no tempo do “amor livre” escolherem ficar numa relação onde não são felizes.

Tristeza por ver pais a mostrarem aos filhos que pode não ser o amor que une duas pessoas.

Tristeza porque acho que estes pais vão definhar à espera da altura certa, pois será quando um filho entra para primária que se pode dizer que os pais já não gostam um do outro? ou para a universidade? quando casam? ou quando um dos pais não aguenta e arranja outra pessoa?

É triste uma pessoa querer separar-se e não ter dinheiro. E é triste uma pessoa não se querer separar mas a outra querer. Mas estes sentimentos são fodidos, são de raiva, são de lágrimas e de impossibilitações reais. Filhos pequenos não são nada disto. São apenas argumentos que se usam quando se tem medo de ser menos na ausência do outro.

E é também triste que alguém se esqueça que os filhos gravam no seu ADN a definição de amor que vêm nos pais. E que esta triste aceitação de viver sem amar seja algo que possa ficar impregnado nas crianças pequenas, que, erradamente, se defende defender.

Tenho pena que o amor não seja perfeito. E tenho ainda mais pena de que o amor acabe.

Mas o que me deixa mesmo triste são estas crianças. Cujos pais não se importam de responsabilizar pelas suas escolhas de serem poucochinho contentes.

Os pais e as mães dos nossos filhos são pessoas que devemos amar para todo o sempre. Não significa que este amor seja, para sempre, debaixo do mesmo tecto.

Porque amor eterno devemos apenas a duas pessoas: aos nossos filhos. E a nós próprios.

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