Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Orgulho e Preconceito

Crónica de 21 / 03 / 2016

Num jantar:

“Então, agora andas a correr que te fartas!”

“É verdade, ando sim!”

Pessoa para, literalmente, vários minutos para me olhar de cima a baixo e perceber onde, no meio das minhas banhas estaria escondido o corpo atlético.

Não fui a primeira vez. Certamente não será a última: na cabeça das pessoas, praticar desporto = ser magra. Ser gorda = não praticar desporto.

A informação que contradiga esta sólida certeza (e preconceito…) causa dissonância no cérebro. E que sejas olhada de alto a baixo na esperança que, muuuuito escondido debaixo da tua roupa, esteja a prova que fazes desporto.

Quer dizer, já não basta uma pessoa esfalfar-se a correr, ainda tinha de passar fome, queres ver?!

Porque é que acho isto importante?

Porque o desporto faz bem. À saúde acima de tudo. E ser magro ou ser gordo não é, automaticamente, sinónimo de ser saudável.E eu tenho orgulho em praticar desporto! Porque sei que sou saudável mesmo com os meus quilinhos a mais.

“Atenção ao peso da sua filha, olhe o meu – e é rapaz! – aos 7 anos foi para o psicólogo porque todos os colegas o chamavam de gordo e baleia – as crianças são horríveis, sabe? – e ainda hoje com 10 anos só come uma fruta ao lanche!”

Eu sei que as crianças são terríveis. Mas também sei que, nós adultos, continuamos a ter referências estéticas, de beleza e de saúde erradas. E a permitir que uma criança cresça, a sentir-se monitorizada, a não ser que coma só uma maçã.

E eu quero que a minha filha tenha orgulho. Em fazer desporto. Ou em comer um bolo. Quero que tenha orgulho nela. Assim, de peito aberto, de sorriso na cara.

Se queremos que os nossos filhos se amem a eles próprios por quem realmente são, porque não começamos por destruir os nossos próprios preconceitos?

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