Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

MÃE: melhor amiga ou cuidadora?

Crónica de 22 / 03 / 2016

Imagino que seja mais fácil numa familia dita “normal”.

Quer dizer, numa familia onde o pai e a mãe estão em casa, onde a TV é dos adultos, assim como a mesa das refeições e as conversas fora de horas.

Numa familia onde existe uma separação clara: crianças de um lado, adultos do outro.

Imagino que seja mais fácil, mas pode não ser. Afinal, que sei eu?

Não o é, e disso tenho a certeza, numa familia de 2: tu e a tua criança.

Quando todo o tempo que existe dentro de uma casa existe só com estes dois seres, então não é fácil separar os papéis.

Como podes não brincar com a tua filha como brincarias com os teus amigos, se não viste os teus amigos durante uma semana?

Como podes dizer que na TV mandas tu, se vocês são duas e passam o mesmo tempo em casa, com a dita TV?

Numa familia onde o nr de adultos é igual ao nr de crianças (no meu caso 1:1) os argumentos de negociação têm de ser outros. E às vezes vocês são mesmo só as melhores amigas.

Claque que quem manda és tu. Certamente quem cozinha e arruma és tu. Mas não é possível estar sempre a educar. Não é possível ser a mãe cuidadora 24 Horas por dia. Porque também precisas de um break. Também precisas de rir. De fazer palhaçadas. De te deitar no chão a ignorar a pilha de roupa que está lá dentro à tua espera.

Às vezes, quando estamos as duas a comer, cada uma a sujar a toalha para seu lado, receio que um dia eu seja a mãe que não se deu ao respeito, que não conseguiu ser mais que amiga.

Mas enquanto esse dia não chega, olho para a minha melhor amiga e vejo que o dialogo funciona. Vejo que ela percebe e me compreende quando lhe peço algo. Ou quando estou cansada. Ou quando já não aguento mais ver Baby TV. Ou quando vamos à praia e sou a primeira a atirar-lhe areia para cima.

Porque acredito, na verdade, que esse dia nunca vai chegar: nunca me vou arrepender de ter tratado, educado e amado a minha filha como uma igual.

Esperando chegar o dia em que a vejo tratar toda a gente como iguais.

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