Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

A melhor mãe do mundo

Crónica de 04 / 04 / 2016

A culpa é um bulor: assim que se instala, alastra a todo o corpo.

Ser mãe, parece-me de que, é daqueles corpos que tem sempre as condições perfeitas para o bolor se instalar. E alastrar.

Falo por mim, pelo menos.

Porque se há algo em mim que se sente a melhor mãe do mundo. Afinal, deixei de sair, de fumar, de me deitar ou acordar tarde. Passei a cozinhar saudável, a horas da minha filha, e sempre a horas dela dormir a sesta em casa. Aprendi a desenhar gatos, girafas e leões. Rastejo pelo chão e ando nos baloiços, carrosséis e outros.

Há outro lado em mim, o lado bom para o bolor, que duvida sempre se é suficiente.
Que acha que talvez a devia por na escola para ela socializar.
Que acha que devia brincar mais com ela em casa.
Que gostava que ela fosse mais para a rua.
Que sente que a devia deixar ver menos TV.
Que teme que lhe dê demasiada comida.
Que sofre porque tem de passar grande parte do dia na cozinha.
Mas que sabe que sofrerá quando tiver de passar o dia a trabalhar.
E sofre já também pelo tempo que não irá para ela quando for trabalhar.
E nem quer pensar no quanto terá o seu coração dilacerado quando ela fora para a escola.
Onde teme que ela não se dê bem.
E….

Epá eu podia ficar aqui o dia todo.

Mas o que vos queria mesmo dizer era que jantei com uma das minhas melhores amigas no outro dia.

Que sentindo o cheiro a bolor me disse:

“Ouve lá, tu nem te tentes armar em ser a melhor mãe do mundo e a sofrer cheia de sentimentos de culpa! A melhor mãe do mundo é a mãe que é suficiente! Suficiente para eles saberem que são sempre amados. De resto deixa-te de merdas!”

São assim os amigos: têm sempre um pano que limpa o bolor da alma.

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