Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Ser mãe que chegue

Crónica de 14 / 04 / 2016

Desde que soube que estava grávida uma e uma coisa apenas me assustaram: será que eu serei mãe que cheguei?

A minha sensação é que eu mal chegava para mim. Não gostava de ter horas. De passar a ferro. De relações e compromissos. De ir às compras antes da comida acabar.

Mas o tempo foi passando e eu fui-me safando. Para surpresa de todos, eu tornei-me organizada, meticulosa, pontual e, valha-nos nossa senhora de santa engrácia, interessada pela cozinha.

Mal sabiam todos que, na verdade, eu estava apenas a encontrar técnicas que me permitissem não falhar. Que me permitissem não ser eu.

O tempo foi passando. E, tal qual num jogo de tetris, quantos mais níveis eu soprava, mais níveis eu duvidada se conseguia alcançar.

Consigo viver sozinha com ela? Foi a minha derradeira questão. E depois de combater o medo, atirei-me à prática. O medo é o nosso maior inimigo, já sei. Mas na altura de avançar, fica-se sempre com os tomates na mão (à falta de expressão melhor, acho esta muito boa!)

Plim. Plim. Plim. Fazia o jogo. Nível superado, siga para o próximo!

O próximo – o actual – conseguiu tornar todos os outros níveis de meninos: viver sozinha com a minha filha. E sem uma mão.

Às vezes a vida só nos permite chegar ao próximo nível para provar que nada sabíamos. E, neste caso, o que eu não sabia é que não estou mesmo nada sozinha. Família. Amigos. Vizinhos. Toda as pessoas do meu mundo afectivo me têm apoiado e estado presente nesta fase.

Para me permitirem terem chegado ao novo nível: ao nível onde eu percebi que mesmo sozinha com a minha filha, e com menos uma mão, eu consigo ser mãe que chegue.

Porque na verdade, querendo, chegamos a todo o lado.

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