Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2017

Quem é o marido ideal para as nossas filhas?

Crónica de 27 / 04 / 2016

MÃE:

Ora ai está uma pergunta que, pelo menos teoricamente, me sinto no direito de responder!

(Na prática devo ser enxotada assim que disser que gostava de dizer o que penso…)

Para mim é fácil: eu sou mulher. Logo, o marido ideal para a minha filha é o marido ideal para mim (sim, sim, eu tenho o meu bom gosto em boa conta :p )

E quem é este homem que, a meu ver, poderia fazer-me a mim ou à minha filha feliz:

  1. É alguém que gosta de viajar. Para hotéis ou parques de campismo.
    1. É um homem que gosta de ler. Assim, quando não tiverem dinheiro para viajar, a inspiração de um livro faz qualquer pessoa viajar.
    2. Que gosta igualmente de boémia e do lar. Não gosto de um homem que esteja sempre no bar mas ainda menos de um que não saia do sofá!
    3. Tem que ter sentido de humor. Para chorar basta a realidade.
    4. Será alguém que gosta de conversar. Mas sempre menos que uma mulher. Mas mais que um homem normal :)
    5. Gosta de surpresas. De fazer e receber.
    6. Gosta de trabalhar. Mas só o suficiente para viver bem, sem que isso comprometa o tempo que dedica à família.
    7. Gosta da familia. E especialmente da sogra! :) Mas só o suficiente para toda a gente se dar bem. Não é preciso trazer nem levar roupa para passar!
    8. É um homem que gosta da natureza. De se sujar. De brincar na terra. Na areia. Cá em casa pretendo que sejamos todos crianças para sempre.
    9. Não trabalha de fato e gravata. Não me perguntem porquê. Acho que só o faz quem tem empregos de seca. Logo deve ser uma seca :)

Mas, se a minha filha não me permitir opinar, ou não estiver nem aí para a minha opinião ou me disser: “ok falas nisso uma vez e nunca mais temos esta conversa!” Vou desejar, muito, com toda a minha capacidade apenas uma característica:

  1. Que goste muito, muito dela. Será certamente impossível que goste tanto como eu. Mas gostava que, pelo menos, a fizesse sentir a mulher mais amada do mundo.

Vou ser uma sogra bestial como podem ver :)

PAI:

Dinheiro, meus amigos. Nós queremos é dinheiro.
Os pais são uns pelintras e têm amor para dar por isso amor não lhes falta, do que elas precisam é de dinheiro.

O Zé pode casar-se com uma tenista. Toda a gente sabe que se há atividade onde uma mulher pode ficar milionária é a jogar ténis.
Também sabemos que uma mulher pode ficar muito rica caso se dedique a ser filha do dono de Angola; de maneira que se a Isabel dos Santos quiser o meu Zé, eu empresto – depois ela devolve com juros.
O Zé é um anjinho e pode vir a estampar-se e a sofrer de amor.
Mas também vai partir alguns corações. Ele não vai querer magoar mas vão ser tantas de volta dele que o pobre vai sofrer a tentar dizer que não de forma delicada.

Quanto a um marido para a Joana, confesso que não tenho preferências. Sei contudo que os pais da criatura com quem ela se quiser juntar vão preferir que a relação nunca tivesse acontecido.
A Joana tem a personalidade mais forte do hemisfério norte e o desgraçado que lhe cair na rifa vai sofrer. Mesmo que ele não tenha dinheiro ela vai poupar umas massas com a criada porque vai fazer dele um escravo.
Com sorte o moço ainda me há de vir aqui fazer umas horas ao fim de semana, nem que seja para dar um jeito na casa ou para passar alguma roupa a ferro.
Ainda não o conheço e já tenho pena dele.
Mas ainda assim, conto usá-lo no que me der jeito.

Com a Rita é capaz de ser mais complicado porque também é arisca mas não sei se tem o ascendente da Joana.
Arrisca-se a ter um choque de titãs com o(s) mamífero(s) que lhe caírem em sorte.
Acho que vai ser uma vida a ranger os dentes mas com a maturidade acabará por encontrar o seu caminho.
Mediante o envio da competente garantia bancária, aqui o papá terá todo o gosto em aprovar, ou não, os candidatos.

A Rosa afigura-se o caso menos linear.
Ela é a artista da família e tanto pode enamorar-se por um outro tonto com alma de artista (e são tontos e felizes sendo que só se estraga uma casa), ou então dá-lhe para se encantar por um macho dominante e aí vamos ter um problema.
Problema para todos, entenda-se.
Para ela que vai ser esfrangalhada, para ele que vai ficar manco, e para mim que vou preso por lhe derreter as rótulas com um taco de basebol que não será forrado a naperon.
A menos que tenha dinheiro. Se o gajo tiver dinheiro, tudo se resolve de forma educada, com uma transferência e um acordo de cavalheiros.

O objectivo é sempre o mesmo: que os nossos filhos tenham uma vida melhor do que a nossa, que não passem por aquilo que nós passámos.
E nesse aspecto não creio que os meus venham a penar tanto quanto eu; o ponto de partida é tão baixo que a coisa só pode correr bem.
Ainda assim, espero que daqui a uns anos a Decathlon tenha umas promoções fixes nos tacos.
Nunca fiando…

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