Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Discriminação. Positiva?

Crónica de 28 / 04 / 2016

Conheci a Joana na natação de grávidas.

E há embatias imediatas. Seja pelas tatuagens. Pelo tom de voz ou gargalhadas. Há algo nos outros que os torna semelhantes a nós. Ou nos faz reconhece-los, pelo menos, como tal, e a partir dai prestar mais atenção aquela pessoa ou achar mesmo que vamos com a cara dela!

Depois reencontramo-nos aqui nas crónicas e hoje acabámos por ir ao mercado juntas.

A conversa foi fluindo e, apesar de saber que isto iria afectar um bocado os horários da minha cria, convidei-a para almoçarmos.

Ora, cria com horarios afectados + cria com menos atenção = cria com birra.

Mas a Joana tem uma filha da idade da minha. O que faz com que de repente, no universo paralelo da minha cabeça me tenha ocorrido o pensamento: “que fixe! Entra já para o grupo das pessoas que conseguem conversa enquanto uma criança grita!”

E quem é este grupo? è o grupo com quem, hoje em dia prefiro e gosto de estar: o grupo que percebe que, com filhos pequenos, a projecção de algo pode ser muito ao lado da realidade de algo.

Mas esta realidade tem alterado a minha vida: prefiro marcar jantares com quem tem filhos. Ao fim-de-semana pergunto a quem tem filhos o que vão fazer. Já imagino para onde vão de férias os amigos com filhos.

Acontece que eu sempre discordei da discriminação: dos amigos casados que só saem com amigos casados. Ou dos solteiros que só saem com solteiros. Dos casais com filhos que só querem sair casais com filhos. Ou, numa conjugação ainda maior de factores improváveis, de mães solteiras que têm filhos que saem com… (no meu caso) qualquer pessoa que tenha filhos e não se chateie com birras.

Eu não gosto disto. Não gosto! Gostava de um mundo mais híbrido. Misto. É, aliás, assim que o vejo e defino.

Mas, lá estou eu a privilegiar e sentir-me melhor com pessoas que percebem exactamente o que estou a passar. Muito provavelmente por estarem no mesmo sitio que eu.

Não é esse o principio do amor? E da amizade? E não foi pela Joana ter tatuagens como eu que nos senti semelhantes de alguma forma? Não sei…

Só sei que, a bem da vida social das mães solteiras e não solteiras com filhos, alguém devia oferecer um curso de como aturar crianças a quem não tem filhos. Ou uns headphones, tanto faz. Desde que eu possa continuar a ter uma vida social no pouco tempo que me sobra :)

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