Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Armas (de arremesso?)

Crónica de 10 / 05 / 2016

MÃE:

Armas? Eu sou um clássico: em caso de discussão vale tudo! (quase tudo, vá…)

Falar. Amuar. Chorar. Argumentar. (Para mim só não vale uma cena muito de gajo que é desaparecer porque acho que mostra mais falta de maturidade que outra coisa… não que as soluções de mulheres sejam sempre de Gandhi mas são melhores! digo eu que sou mulher ;))

Eu? Eu falo, falo, falo, falo e falo. Oiço 10% no auge da discussão. E falo e falo e falo mais.

Também sou um clássico a justificar-me: enquanto falo é porque me preocupo, no dia que deixo de falar aí é que a fêmea do suíno deve torcer o apêndice caudal! (que é como quem diz, a porca torce o rabo :))

Sim, às vezes o silêncio pode ser a arma, no sentido que o outro já sabe que o silêncio = fodeu!

Mas, verdade seja dita, acho que a única arma válida é existir, entre as duas partes ou quantas estiverem envolvidas no argumento, a certeza que o outro lado quer continuar a ir à guerra connosco.

Quando as pessoas querem resolver um conflito, as pessoas envolvem-se. E ir à guerra, por mais que possa por vezes ser infantil, é, a meu ver, muito mais interessante que não ir e “deixar andar”. Além de que uma discussão bem resolvida pode sempre ter um final muito feliz :))

Resumindo e baralhando, queiram-se duas pessoas uma à outra e as armas não passam de brinquedos de criança. E tão bom que é brincar 😉

PAI:

A Patrícia adora lançar-me estes desafios que me deixam às aranhas, e ainda por cima desta vez fui eu que me pus a jeito.
Nós estávamos muito descansados a ter uma discussão acalorada via sms por causa da escolha do tema da semana, e de repente ela deixou de me responder.
O que teria acontecido? Um imprevisto que a impediu de responder? Acabou-se a bateria? Ficou sem rede? Tinha ficado zangada comigo?
Como eu não sabia, mandei um sms a dizer que um tema giro para a crónica era “o silêncio como arma de arremesso”.
Ela gostou e alargámos para as armas dos homens e das mulheres nas relações.
A chatice é que eu vim ao mundo desarmado e não tenho a mais pequena ideia de como funciona essa coisa dos arsenais.
Não sei se há armas que são mais utilizadas por eles e outras por elas ou se as armas são todas bissexuais.
Às vezes gostava de ser um durão que faz birras e as aguenta, que impõe silêncios e os mantém, que fica de trombas e fica firme como um viking carrancudo.
Mas não consigo.
Sou o banana que na primeira oportunidade faz de conta que não se passou nada e volta tudo ao normal.
Viver comigo deve ser uma seca.
Os putos só não se vão embora lá de casa porque não têm idade para isso senão, nem a cadela Inês lá estava…
A verdade é que acho que nunca nada justifica uma zanga à séria.
E como o espaço tem que ser partilhado, para quê arranjar um arrufo ao jantar se duas horas depois vamos estar a dobrar peúgas a um metro um do outro?
Nestas coisas sou um invertebrado, cedo sempre.
Por definição as crianças são simultaneamente anjinhos e demónios, vão alternando.
E com 4 miúdos em casa, há sempre (pelo menos) um que está virado do avesso.
Por outras palavras, já me bastam as vezes que tenho que discutir com eles – a última coisa de que preciso em casa é de mais discussões por causa de assuntos que, uma vez espremidos, não valem uma beata.
E a verdade é que a maior parte das vezes se discute por merdinhas que não interessam ao menino Jesus. Não tenho pachorra.
Eu queixo-me muito pouco e se por acaso me acusam de coisas com a gravidade de um par de meias na gaveta errada ou de me ter esquecido de comprar o salmão, costumo responder solenemente:
“- Então liga para a APAV e faz queixa de mim”.
E acabam-se as discussões. Ou se duram nunca ultrapassam umas horitas.
Silêncio como arma de arremesso? Das poucas vezes que tentei, ou me arrependi ou então esqueci-me que estava em greve de silêncio e quando dei por mim já estava a tagarelar como se não fosse nada.
Eu sei que a guerra é uma arte, mas para mim é só mais uma arte que não domino.
É um bocado como o Hino Nacional antes dos jogos da seleção: um gajo está para ali a gritar ÀS ARMAS! ÀS ARMAS! como se fosse tomar o mundo de assalto, mas no fundo quer é que o jogo comece e depois ir beber umas cervejas e comer umas bifanas em ambiente de paz.

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