Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Asperger na infância

Crónica de 04 / 06 / 2016

18 anos. Ser mãe aos 18 anos, é coisa que pouca gente procura tal como eu não procurava, ou achava que não, pois quando nasceu aquele que viria mudar a minha vida, percebi que era a peça que me completava.

Uma peça de puzzle, bem azulinha. Tem agora, 4 anos e eu 22. Nunca andou numa creche, nunca se tinha visto na “casa dos segredos infantil” até Setembro do ano passado, quando entrou na pré-escola. O S., era e é muito, inteligente.

Com 8 meses, já caminhava sem qualquer tipo de ajuda. Com 9 meses, bastava perguntar: “Onde está a cor amarela?” e ele lá apontava com o seu dedinho, e o seu vocabulário continha mais palavras do que crianças de 1 ano. 12 meses, e sabia identificar todas as cores, formas e sons de animais, completava puzzles de 18 peças.

Fazia-se distraído quando era chamado, chorava quando tinha cócegas e ria quando se magoava. 15-18 meses, construía sem dificuldade frases com mais de 3 palavras, concluiu o desfralde diurno e noturno sem acidentes, identificava a realidade que o rodeava, como por exemplo os caminhos utilizados para chegar a certo destino. Sabe que se juntar os dedinhos das mãos, consegue saber que um dedo, e outro dedo, são dois. E aprende nesta altura, a identificar os números e a contá-los de memória até ao 25. Nesta sequência, troca o 7 pelo 9.

A motricidade fina não é o seu forte, segurar um lápis é-lhe difícil. No entanto, chuta a bola sem se desequilibrar. Continua a fazer-se distraído quando é chamado, e quando confrontado com a realidade infantil: estar num parque, torna-se observador, isola-se e só quando compreende a dinâmica de grupo, se insere no mesmo. Aos 2 anos, consegue montar puzzles de + 72 peças começando pela moldura e chegando por lógica ao centro. Consegue vestir e despir-se sem ajuda, come sem ajuda mas não consegue ainda segurar um lápis na posição correta, apesar de que quando o segura, consegue desenhar formas e letras. Reconhece todas as letras do abecedário, e faz junções simples “p + a = pa.”. Não compreende brincadeiras, nem lugares-comuns.

É sério, e questiona o que o rodeia: “O que faz o comboio, andar? Como o avião fica no céu, sem cair?” e não aceita respostas de despacho. Não gosta de dar nem receber mimo, abraços. Compreende o humor dos outros. Mantém a concentração, é perfeccionista, e tem excelente memória, compreende o “ontem, hoje e amanhã” e através de pequenos detalhes, identifica em que dia da semana se encontra. Quando é chamado, não responde, faz-se distraído. Num parque, continua observador e só depois se insere. Tem a capacidade de manter conversa, sem esquecer o tema inicial, respondendo pertinentemente e com discurso avançado para a idade.

E é aqui, que vamos a uma consulta e o pediatra após vários testes, incluindo o de passar várias imagens em que lhe pede, nos seus pequenos 2 anos para contar o que vê na imagem, e entre o que ele conta lhe faz pequenas perguntas sobre detalhes muitos específicos, me diz: Isto poderá ser Autismo de Alto Funcionamento.

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